A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 12/09/2021
Na obra de Carolina Maria de Jesus, Quarto de Despejo, é retratado o cotidiano da autora vivendo na extrema miséria nas favelas brasileiras. Análogo a esse cenário, a fome no território nacional persiste em decorrência do sistema econômico vigente e da inoperância dos governantes para com os indivíduos marginalizados. Logo, evidencia-se a necessidade de medidas efetivas que reparem a questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores.
Decerto, o sistema socioeconômico capitalista fundamenta-se na concentração arrentaria gerando, assim, o desequilíbrio comunitário. Sob essa perspectiva, compreende-se a dialética entre a organização do corpo social acerca do Capitalismo e a perpetuação da fome, uma vez que visando o superávit na venda de produtos comestíveis não ocorre a democratização do acesso aos alimentos básicos a sobrevivência humana. Prova disso é o poema “O Bicho” de Manuel Bandeira, que retrata diretamente as condições subalternas experienciadas pelos cidadãos em posição de miséria, ao escrever sobre um homem revirando o lixo em busca de alimentos. Assim, verifica-se que o sistema econômico hodierno é um dos causadores da fome no país.
Ademais, a negligência das autoridades políticas perante a problemática agrava o cenário da subnutrição da população brasileira. Sob esse expecto, é notório que a ausência de programas reparadores, pelos dirigentes, gera a invisibilidade social dos indivíduos acometidos pela miséria, já que os posiciona às margens da sociedade. Nesse sentido, entende-se a máxima do ex presidente Luís Inácio de que a fome só será combatida quando for transformada em um problema político, quando os famintos começarem a preocupar os governantes. Desse modo, depreende-se a análise de que a relação predatória dos chefes de Estado diante da parte populacional excluída é fator crucial para a persistência da orexia no meio nacional.
Fica claro, portanto, que os causadores da fome no Brasil são um problema a ser mitigado. Para tanto, urge que o Ministério da Economia, por meio de verbas estatais, em parceria com empresas privados do ramo tabelem produtos de necessidade primária, visando maior alcance de alimentos pela população carente. Essa medida ganhará força com a ação do Ministério da Cidadania pela integração e reinserção dos indivíduos em situação de miséria, com a criação de programas sociais e mais propostas de emprego. Somente assim, o vivenciado por Carolina Maria de Jesus não será mais uma realidade para os demais brasileiros.