A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 13/09/2021
Segundo Nelson Mandela, “negar ao povo os seus direitos humanos é pôr em causa a sua humanidade”. O autor reflete sobre a importância de se garantir os direitos fundamentais ao individuo, a fim de proporcionar-lhe dignidade. Contudo, observa-se, na hodierna realidade, uma má distribuição alimentícia devido às políticas econômicas adotadas somada ao negligenciamento do Estado em relação a esse assunto, tornando-se responsáveis pelo aumento da linha de pobreza, assim, ferindo-se a dignidade do ser humano no não seguimento dos Direitos Humanos. Deste modo, é necessário reavaliar o papel da sociedade no acolhimento aos indivíduos afetados.
Precipuamente, analisa-se uma contradição no agronegócio pois o país produz massivamente, porém a população ou passa fome ou não possui uma alimentação saudável, sobretudo a rural, mesmo sendo o local cujas commodities são criadas. O sistema produtivo é dividido com objetivos econômicos divergentes, o primeiro é o latifundiário monocultor que visa a exportação dessas matérias-primas em larga escala, conhecido como agricultura empresarial, já o segundo é feito em pequenas ou médias propriedades onde predomina a policultura abastecendo principalmente o mercado interno, também chamada de agricultura familiar. Ou seja, a menor parcela da produção é voltada ao próprio Brasil, sendo dificilmente distribuído a preço acessível ainda mais com uma desvalorização monetária do real que, por outro lado, gera mais ainda o interesse da agricultura patronal no investimento externo, porque o lucro é maior, enquanto as camadas populares sofrem pra ter a dispensa em dia, consequentemente intensificando as desigualdades sociais em decorrência da vontade de obtenção do lucro.
Outrossim, durante o período pandêmico da nCovid-19, mostrou-se um descaso com o próprio povo, por parte dos Ministérios e do Presidente, quando se utilizou discursos de que a fome havia sido erradicada e políticas públicas de caráter populista que serviram somente como uma forma de segurar, a curto prazo, as mazelas sociais, como o auxílio emergencial, porém quando acabar os recursos econômicos, os ex-pobres voltam a condição inicial e terão a companhia de novos pobres.
As palavras proferidas por Mandela se ligam intrinsecamente à Constituição Federal de 1988, artigo primeiro, inciso três: “A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos […] a dignidade da pessoa humana”. Devendo ser seguida pelo Estado com políticas de ajuda aos pequenos agricultores aumentado a distribuição alimentícia e aumento no número de empregos, vale ressaltar a necessidade de uma reforma agrária que diminuiria a desigualdade da produção.