A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 13/09/2021

Segundo  Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas é característica da modernidade líquida vivida no século XX. À vista disso, tem-se que a fome e a desnutrição, intensamente presentes no Brasil, refletem essa realidade. A incúria do Estado e a estruturação da sociedade moderna favorecem um quadro conturbado e excessivamente deletério à população. Isto posto, faz-se premente a análise dos fatores motivadores da questão, bem como as diligências pertinentes a mesma.

A princípio, é relevante destacar a defeituosa distribuição de subsídios na sociedade brasileira. De acordo com pesquisas realizadas pelo IBGE, o Brasil possui mais de sete milhões de pessoas em estado de fome. Visto isso, constata-se que a desigualdade social é um expressivo fator da situação, uma vez que inúmeras famílias vivem em situações de miséria por não conseguirem um emprego honesto ou ainda por não receberem uma quantidade monetária suficiente para prover um membro familiar. Por conseguinte, verifica-se a primordialidade de reparar esse quadro no país.

Ademais, é imperioso ressaltar a indiligência do Estado e a carestia de medidas e recursos governamentais para combater a fome no país. Nessa perspectiva, depreende-se que a insuficiência de investimentos cria um cenário propício a ausência generalizada de alimentos para muitas famílias. Apesar dos projetos federais e estaduais para atenuar a situação, nota-se uma deficiência no acesso aos mesmos, gerando o alarmante dado de que a cada cinco crianças, no Brasil, uma morre de fome ou por doenças ocasionadas por esta. Nesse sentido, é conspícuo que a má gestão de recursos é um fator da problemática, fato afirmado pelo professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, doutor Malaquias: “as políticas sociais do governo são concebidas de forma fragmentada e implementadas de forma desarticulada.”, demonstrando, pois, que os financiamentos e projetos mostram-se insuficientes para reduzir a fome no país.

Em suma, é imperioso que sejam tomadas medidas para amenizar a problemática, logo o combate à liquidez citada inicialmente, a fim de conter o avanço da fome no Brasil, deve tornar-se efetivo, uma vez que é distinto o quadro conturbado instaurado. Sendo assim, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, responsável pela segurança alimentar no país, deve estruturar projetos que visem a melhor distribuição alimentícia, como, por exemplo analisando áreas com maiores índices de pobreza e, consequentemente, distribuindo uma certa quantidade de alimentos para os necessitados. Além disso, o Governo Federal deve ampliar e aperfeiçoar progamas como o Fome Zero, de modo a torná-los eficientes e bem partilhados. Dessa forma, poderá, finalmente, reduzir-se a fome no Brasil.