A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 14/09/2021

A obra literária “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, descreve a vida miserável de uma família de retirantes sertanejos obrigada a se deslocar de tempos em tempos para áreas menos castigadas pela seca. Essa, entre várias outras obras, retrataram a pobreza e a fome de inúmeras famílias brasileiras desde o século 19. Hoje, anos depois, o cenário dessas histórias ainda é uma realidade devido à má distribuição de renda, ao desperdício exacerbado de alimentos e à falta de planejamento na distribuição deles mesmos pelo país.

Primeiramente, faz-se mister salientar que a desigualdade social é um dos grandes motivadores da fome no país. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 25,4% da população vive na linha de pobreza e o maior índice se dá na região Nordeste, onde 43,5% da população se enquadra nessa situação. Em todos os casos, a pobreza tem maior incidência nos domicílios no interior do que nas capitais, o que mostra não só os problemas climáticos que acometem a região, como a seca que ameaça a agricultura, mas também o descaso para com a população nordestina com a falta de planejamento de recursos emergenciais.

Ademais, a má distribuição de alimentos pelas regiões é outro fator agravante. Segundo estudos da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, no Brasil, quarto maior produtor mundial de alimentos, 50% do estoque se perde na distribuição de transporte devido a embalagens impróprias que causam danos aos alimentos e 30% nas centrais de abastecimento e comercialização. Somando a isso, casas brasileiras são responsáveis por desperdiçar 41 mil toneladas de alimento por ano, ou seja, não é só um problema econômico, mas também sociocultural, na qual o que se come passou a ser mais um bem de consumo do que uma necessidade.

Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para resolver essa inercial problemática. O Governo, órgão responsável pela execução de políticas públicas, deve, por meio da criação de leis, melhorar e padronizar as embalagens dos produtos, juntamente com o aperfeiçoamento do sistema de transporte e logística, a fim de evitar o desperdício de alimento e, consequentemente, diminuir os preços do mesmo para que camadas mais pobres da população possam ter acesso. Outrossim, é preciso realizar ações para que haja mais oportunidades de emprego acabando, assim, com a desigualdade econômica. Dessa forma, espera-se deixar realidades, como a retratada na obra “Vidas Secas”, no passado.