A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 14/09/2021

É notória a alta parcela da população brasileira que passa fome no seu dia a dia. Embora o Brasil seja altamente desenvolvido no ramo da agricultura, ainda há pessoas que não têm acesso ao básico da alimentação para manter uma saúde plena, presente na Declaração dos Direitos Humanos como fundamental para todo cidadão. No entanto, a carência de um programa mais robusto no combate à subnutrição no país tem exercido influência de forma negativa nas camadas mais baixas da população, tanto por reforçar uma hierarquia entre elas, quanto por potencializar a precarização da saúde.

A falta de acesso à alimentação está fortemente ligada ao processo de desigualdade social. Isso porque o poder aquisitivo do indivíduo que busca comprá-lo promove uma hierarquização interpessoal, na qual quem ganha mais, pode comprar mais e de melhor qualidade. Dessa forma, uma pessoa mais pobre não pode gastar tanto em comida, pois precisa dividir seu salário baixíssimo entre outras despesas a serem pagas. Nesse contexto, a obra “Rua das Lágrimas Flutuantes” mostra a situação de três crianças nordestinas que sofrem com as dificuldades que a falta de dinheiro ocasiona diariamente, em especial, na alimentação. De forma análoga, fora da ficção, cria-se as mais graves marcas de exclusão, aquelas que continuarão presentes até a vida adulta.

Além disso, a precarização da saúde individual é potencializada pela questão da fome, a qual leva à situações de desnutrição e digestão de alimentos que não cumprem os requisitos sanitários necessários para serem considerados consumíveis. Nesse sentido, é inadmissível, embora comum, que algumas pessoas tenham que optar por pegar produtos perto do prazo de vencimento por custarem um menor valor, ou até mesmo, em casos piores, que precisam “catar” comida nas ruas e no lixo, como a personagem Beyah, da obra “Heartbones”, que consome cascas de frutas descartadas, pela falta do que comer. Com isso, a contaminação do indivíduo pelo consumo de comidas estragadas ou infectadas é espelhada nos problemas de saúde oriundos desse hábito.

A inexistência de um projeto contra a fome, portanto, influencia negativamente essa situação no país, por estimular a exclusão social e o detrimento da saúde humana. Desse modo, é necessário que o Governo Federal crie um programa de alimentação básica por meio de um projeto solidário, que possibilite a doação de alimentos, em especial os não perecíveis, para centros de distribuição que realizem a entrega de cestas básicas às famílias necessitadas. Desse modo, as pessoas que encontram obstáculos financeiros para se alimentar terão acesso a alimentos de boa qualidade.