A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 15/09/2021
Na obra “Vidas Secas” de Graciliano Ramos retrata as mazelas vividas por um família de retirantes nordestinos, que sofrem arduamente com a fome e com a seca que se alastrava no interior do nordeste brasileiro. Infelizmente, fora da literatura, a fome e a miséria são empecilhos nas classes mais baixas da sociedade brasileira, fato problemático e de retrocesso em pleno século XXI. Logo, é necessária uma discussão mais efetiva sobre fatores que motivam a fome no país: a negligência governamental e o capitalismo que gera desigualdade.
Cabe analisar, de início, que no Artigo 6º da Constituição Federal promulgada em 1988 é estabelecido que todos têm direito à alimentação. Todavia, a realidade diverge da legislação, tendo em vista que as classes mais baixas da sociedade enfrentam adversidades para conseguir os alimentos. Nesse sentido, o pacifista indiano Gandhi afirma: “Cada dia a natureza produz o suficiente para nossa carência. Se cada um tomasse o que lhe fosse necessário, não havia pobreza no mundo e ninguém morreria de fome”. Nesse viés, o ativista destaca que a produção de alimentos é suficiente para atender a demanda, porém a desigualdade financeira que se assola no território brasileiro e a negligência Estatal são fatores que motivam a fome no país.
Ademais, é necessário ressaltar o papel do capitalismo na problemática. Acerca disso, o filósofo Karl Marx afirma que uma sociedade é definida pelos seus meios de produção. Assim, a era industrial oferece uma discrepância entre as classes, o que agrava ainda mais a desigualdade social, tendo em vista que a concentração de renda, provocada pela grande diferença entre o poder aquisitivo dos donos dos meios de produção e os proletariados, promove a fome e agrava as mazelas sociais. Desse modo, a parcela populacional que não goza dos direitos básicos para sobreviver, devido à falta de empatia do Estado e a aglutinação de riquezas nas mãos dos empresários, urge por mudanças.
Portanto, medidas são necessárias para mitigar o problema. Então, cabe ao Governo Federal em parceira com as prefeituras instalar restaurantes populares nos grandes centros urbanos e nas periferias mais afetadas pela insegurança alimentar. Para isso, são necessárias verbas oriundas dos cofres públicos, para que sejam instalados os restaurantes, mantidos de forma organizada e que atenda a demanda populacional, a fim de minimizar a fome no Brasil. Assim, o direito à alimentação estará de fato sendo assegurado pelo Estado.