A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 23/09/2021

O filme “O Poço” retrata, de forma alarmante a questão da desigualdade social. Em um presídio vertical que possui mais de 300 andares, o alimento que parte do topo não chega em bom estado ou nem chega aos níveis mais baixos. Análogo a realidade no Brasil, que mesmo sendo um país de enorme potencial agrícola, uma grande parcela da população sofre os reflexos da fome. Logo, faz-se imperiosa à análise dos fatores que motivam esse desequilíbrio.

Em uma primeira análise, a má distribuição de alimentos é uma consequência direta da grande concentração de terras no país. Isso porque os interesses econômicos superam a vontade de sanar a fome. Tal fato, pode ser percebido quando se observa que as aréas e os inventimentos destinados ao agronegócio são muito superiores em relação à agricultura familiar que, por sua vez, é responsável por produzir 70% dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros, de acordo com o IBGE.

Convém pontuar, que, o aumento do dólar e das exportações faz com que o preço dos alimentos básicos subam significativamente. Além de ser um território com alto índice de desemprego, a remuneração da maioria dos trabalhadores quando comparada ao encarecimento dos produtos essenciais, intensifica a questão da hierarquização alimentícia; come com dignidade quem está no topo da pirâmide social. Portanto, é fato  que comer é um ato de ostentação para muitos, sendo assim, a democracia é uma concha vazia numa nação que existe fome, segundo Nelson Mandela.

Depreende-se, logo, a necessidade de atenuar esses impactos. Para isso, o Governo federal por intermediário do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) deve criar projetos para o incentivo da agricultura familiar, oferecendo subsídios para melhoria da produção e da renda dos pequenos produtores, não apenas repartindo terras, mas fornecendo orientações e recursos para sua subsistência e maior rotatividade dos produtos. Dessa forma, a comida que parte do topo chegará aos níveis mais baixos.