A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 25/09/2021

No Filme “O Alto da Compadecida” de Ariano Suassuna, os protagonistas João Grilo e Chicó, devido à falta de dinheiro e comida, são obrigados a trabalhar em troca da alimentação. Análogo a representação ficcional, a fome é um problema que persiste na realidade brasileira. Em síntese, esse cenário nefasto ocorre tanto pelo egoísta interesse comercial quanto pela negligência do Estado em relação a programas de alimentação básica. Sendo assim, urge uma análise e a resolução dessas entraves para que todos tenham direito a se alimentar de forma correta.

Inicialmente, é fulcral postular que o egoísta interesse comercial é um dos principais fatores que contribuem para persistência da fome. Isso posto, segundo o filósofo alemão Karl Marx, o capitalismo é um sistema que cria diversas mazelas sociais. À luz dessa perspectiva, as empresas alimentícias acabam tornando o acesso a alimentação difícil, pois, baseado apenas no lucro e não na necessidade social, sobem os preços dos alimentos de acordo com o mercado, o que refletido na população de baixa renda que acaba não tendo condições financeiras para comprar comida. Nesse viés, muitos brasileiros acabam passando por situação de fome devido a ações egoístas.

Ademais, é válido destacar que a negligência do Estado em relação a programas de alimentação básica também contribui para a continuação do cenário da fome no Brasil. Diante disso, de acordo com o filosofo grego Sócrates, só existe vida se houver comida. A par disso, a falta de importância do governo em relação a garantia de alimentos torna a sobrevivência dificil para diversas pessoas, pois ao necessitarem de suporte por uma condição geográfica - como a seca - ou econômica não têm. Desse modo, muitos possuem o seu direito constitucional à nutrição violado.

Destarte, em observação aos fatos apresentados, é necessária uma imediata imediata. Nesse âmbito, o poder público, na figura do Ministério da Economia - responsável por fiscalizar ações comerciais - deve criar um projeto de emenda constitucional que torne o aumento dos preços nos alimentos básicos para a sobrevivência uma questão que deve ser analisada por economistas do Estado e julgada como correta ou incorreta por meio de votações, com o objetivo de mitigar a elevação desnecessária dos preços e a capitalização selvagem sem pensamento social das grandes empresas. Por sua vez, o Ministério do Desenvolvimento Social deve criar um projeto de distribuição cestas básicas por meio de armazéns localizados em locais que necessitam de suporte alimentício a fim de garantir o direito constitucional à nutrição. Feito isso, o Brasil vai se distanciar do que foi representado na obra de Ariano.