A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 05/10/2021

De acordo com o filósofo contratualista Jean J. Rousseu, durante o estado de natureza, os indivíduos compartilhavam seus alimentos com seus respectivos grupos, pois todos eram iguais. Entretanto, com o advento da propriedade privada, a diferença social permeou a população, dificultando a distribuição homogênea de alimentos. Nesse contexto, percebe-se que a desigualdade coletiva é um combustível para a questão da fome no Brasil, tendo como principais motivações: o contraste de renda, além do déficit educacional inerente as pessoas em vulnerabilidade social.

Em primeira análise, a má distribuição de renda contribui para a questão da pobreza extrema no país, haja vista que desde o processo de formação do Estado, o território foi fragmentado entre quinze donatários através do processo de capitanias hereditárias. Dessa forma, enquanto alguns detinham extensos latifúndios, outros eram escravizados. Assim, essa herança social ainda se verifica em seus descendentes.

Ademais, o déficit educacional intrínseco as pessoas em vulnerabilidade social corrobora para níveis de pobreza extrema. Tal premissa está em consonância com o pensamento do filósofo alemão F. Nietzsche, que relata a sociedade sendo composta por convenções necessariamente preenchidas por padrões. Desse modo, se pessoas em vulnerabilidade social possuem um déficit educacional, seus sucessores também terão, ocupando ofícios com baixa remuneração, caso não haja uma quebra de tal paradigma.

Destarte, a fim de que o problema da fome no país seja mitigado, urge que o Ministério da Cidadania alimente aqueles que estão em situação de fome, promovendo ações com entrega de alimentos a esse público. Além disso, com objetivo sanar a raíz do problema, torna-se imperativo que o Ministério da Educação promova projetos de pesquisa e extensão em escolas de rede pública, instigando a população carente a inclinar-se a educação com delineamentos que lhes seja interessante, respaudados por bolsas de financiamento estudantil. Dessa maneira, o padrão social será quebrado e os indivíduos ocuparão cada vez melhores cargos no mercado de trabalho. Sob tal óptica, a nação se encaminhará para uma sociedade igualitária bem como a do estado de natureza proposta por Rousseau.