A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 08/10/2021

Simone de Beauvoir, filósofa francesa existencialista, dizia que “o mais escandalosos dos escândalos é que nos habituamos a eles”. De maneira análoga, tal excerto pode ser associado a questão da fome no Brasil, já que, apesar de ser de conhecimento público, os esforços para combater essa barreira permanecem sendo insuficientes para resolução total do problema, fazendo com que a sociedade se acostume com ele. Nesse sentido, é necessário buscar as razões para essa nefasta realidade.

Em primeiro plano, é prudente ressaltar que esta condição social não é causada pela escassez de alimentos. O escritor brasileiro Gilberto Dimenstein, em sua obra “O Cidadão de Papel”, discursa que a produção agrícola tupiniquim é mais que suficiente para suprir as necessidades básicas da população. Sob esse viés, depreende-se que, em uma nação capaz de alimentar seus habitantes, a ausência de medidas governamentais efetivas acaba prejudicando os cidadãos, que sofrem pela distribuição inadequada de suprimentos.

Por conseguinte dessa precária divisão de sustento, vemos o crescimento da desigualdade regional no Brasil, onde áreas como Nordeste e Norte são mais afetadas pela insegurança alimentar do que outras como Sul e Sudeste, que, por contraste, são as que detém também as maiores taxas de saneamento básico, urbanização, PIB e expectativa de vida. Essa disparidade não é uma casualidade, porque a desnutrição está intimamente ligada a alta taxa de mortalidade em todas as idades, principalmente na infância; a falta de alimentos provedores de energia faz com que o organismo tenha mais dificuldade em enfrentar doenças comuns como o sarampo e a gripe, o que pode causar a morte do indivíduo.

Portanto, a fim de combater esses obstáculos, é imprescindível que o Minísterio da Saúde, em parceria com organizações de produção alimentar, aprimore os métodos de partilha de itens comestíveis, especialmente nas regiões mais pobres do país, com o objetivo de diminuir o desequílibrio nutricional, criando uma realidade onde a sociedade como um todo tenha acesso a um direito tão básico quanto a subsistência. Desse modo, os brasileiros poderão superar a questão da fome em seu território de maneira conclusiva, evitando que esse se torne, como Simone de Beauvoir chamaria, um escândalo do qual nos habituamos.