A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 04/10/2021
No século XVIII, o economista inglês Thomas Malthus, elaborou uma teoria na qual o crescimento da população seria superior à produção de alimentos. Contudo, apesar de fatores que desencadeariam a fome, a tecnologia mercantilizou a fabricação e ao mesmo tempo superou a escassez de alimentos. Nesse contexto, deve-se analisar a problemática da insegurança alimentar em uma sociedade capitalista, globalizada e marcada por desigualdades sociais. A princípio, o capitalismo associado ao processo de globalização, exerce infuência em diversos setores na sociedade, entre eles, na distribuição e consumo de alimentos. Isso decorre da necessidade do atual modelo de produção na obtenção de lucros em conjunto a uma ¨globalização perversa¨que segundo o geógrafo Milton Santos é seletiva e exclusiva. Desse modo, o produto nutricional tornou-se ¨mercadoria padronizada¨de alto valor comercial, voltado para o mercado externo. Com isso, a população de menor poder aquisitivo carece de produtos nutricionais básicos que poderiam suprir a insegurança alimentar. Contudo, segundo o contratualista John Locke, configura-se uma violação do ¨contrato social¨a insuficiência do Estado em garantir direitos imprescindíveis,entre eles, a garantia de alimentos na atualidade. Diante disso, ocorre a necessidade de intervenção do poder público em uma sociedade que segundo o IBGE supera a marca de 7 milhões de brasileiros atrelados à adversidade da fome. É válido ressaltar, ainda, que a insegurança alimentar pode está associada as desigualdades sociais. Sendo assim, para o sociólogo Sérgio Buarque, a má distribuição de renda, à qual diminui o poder de compra de alimentos, pode ser reflexo da concentração fundiária e de lucros por parte de uma elite latinfundiária e hierarquizada que remonta o período colonial brasileiro. Torna-se evidente, portanto, a influência do capitalismo e das desigualdades sociais na insegurança alimentar no Brasil. Em razão disso, urge que o Governo Federal e o Ministério da Cidadania, criem por meio de verbas federais, projetos de erradicação da fome, através da ampliação da agricultura familiar em conjunto com a abrangência dos auxílios assistenciais voltados para população em maior vulnerabilidade social, a fim de minimizar a insegurança alimentar. Assim, a teoria de Malthus será reconstruída de forma a estabelecer o equilíbrio entre crescimento populacional e produção de alimentos.