A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 04/10/2021
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 7 milhões da população brasileira vivenciam um cenário extremamente preocupante em decorrência da falta de alimentos. Contudo, pouco se tem discutido acerca de medidas capazes de contornar a questão da fome no Brasil. Sob essa ótica, evidencia-se a necessidade de analisar a problemática, que persiste intrínseca em virtude de lacunas na legislação e do individualismo da sociedade.
Em primeiro plano, é preciso pontuar que a negligência governamental em relação às famílias em vulnerabilidade socioeconômica caracteriza-se como um grave empecilho. Nesse sentido, o artigo 6 da Constituição federal preconiza que a saúde, o trabalho, a alimentação e a assistência aos desamparados são direitos sociais. Entretanto, a realidade contradiz a lei, uma vez que as medidas tomadas pelo governo são, na maioria das vezes, centradas na consequência do problema, e não na causa. Como resultado, tem-se o desenvolvimento de medidas populistas, como o auxílio emergencial, que busca agradar a todos com uma quantia mínima de dinheiro e, por esse motivo, não beneficiar efetivamente as famílias em condição de extrema pobreza e fome.
Outrossim, convém ressaltar que o individualismo de uma parcela significativa da população também representa um impasse. Sob esse viés, é possível relacionar o livro “Quarto de despejo”, de Carolina Maria de Jesus, à atual realidade brasileira. Na obra lançada em 1960, a escritora relata que precisou retirar comida do lixo para garantir a subsistência de seus filhos, e que apenas um prato de arroz e feijão já significava muito para ela. Hoje, embora existam muitas pessoas generosas que buscam modificar tal cenário, muitos indivíduos ainda passam por situações semelhantes e são ignorados pela sociedade em razão de estereótipos e da lógica capitalista _ que de forma excessiva direciona a atenção das pessoas à acumulação de riquezas e ao benefício próprio.
Portanto, dado o exposto, torna-se imperativo a adoção de medidas que alterem esse cenário desafiador. Logo, o governo federal, em parceria com organizações não governamentais (ONGs), precisa desenvolver projetos que, respectivamente, proporcione meios para que as famílias em situação de miséria tenham acesso ao direito da alimentação e mobilize a população a ajudar aqueles que precisam. Isso deve ocorrer por meio da distribuição de rendas e cestas básicas satisfatórias para indivíduos em situação de vulnerabilidade socioeconômica, além da geração de empregos para esse grupo. Paralelamente, ONGs que atuem na área devem divulgar informações acerca da gravidade do problema e propor campanhas de doação de alimentos, de modo a incentivar a mobilização coletiva. Com isso, gradativamente será possível extinguir os fatores motivadores da fome no Brasil.