A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 06/10/2021

A série de livros ficcional “Jogos Vorazes” retrata um futuro distópico em que uma pequena parcela da população tem acesso a privilégios como entretenimento e alimentação de alta qualidade, enquanto a maioria da sociedade é marginalizada, vivendo em estado de insegurança alimentar. Apesar do cenário ser fictício, não é nada distante da realidade de milhões de brasileiros que passam fome e não têm acesso à alimentação básica, um problema sério decorrente da política agrária atual voltada para exportação e da má distribuição de renda.

A priori, é importante destacar que a produção agrícola no país é farta, visto que o Brasil é uma nação voltada para a agropecuária desde a época colonial. No entanto, a abundância da produção é direcionada à exportação, uma herança histórica, como é possível concluir a partir de um lema do período ditatorial brasileiro “Brasil celeiro do mundo”. Tal política interfere diretamente na qualidade e na quantidade de alimentos consumidos pela população brasileira, resultando em uma quantia menor do que a necessária. Como resultado, há um aumento desproporcional no preço dos produtos, o que impede a comida de ser algo garantido a todos.

Ademais, a nação brasileira apresenta uma grande disparidade entre os mais ricos e os menos favorecidos, que muitas vezes vivem em situação de insegurança alimentar extrema. A maioria da população necessitada se encontra em áreas como o interior da região nordeste, onde há falta de preocupação do Estado e das empresas porque não há consumidores abastados. Dessa forma, as regiões mais pobres não recebem auxílio e a oferta de alimentos é menor, intensificando a pobreza do lugar, um ciclo vicioso. Dessa maneira, os indicadores sociais da insegurança alimentar mostram um quadro cada vez pior, como foi evidenciado com o retorno do Brasil ao mapa da fome recentemente.

Assim, é evidente que medidas devem ser tomadas diante de tais percalços. É necessária a intervenção do Ministério da Agricultura para controlar a divisão dos alimentos entre consumo nacional e exportação, através de políticas que estipulem quantidades mínimas para o abastecimento do mercado brasileiro. Da mesma forma, é urgente que o Ministério da Economia fomente o estabelecimento de empresas em lugares mais remotos através de incentivos, visando proporcionar oportunidades de crescimento econômico em tais regiões a fim de aumentar o poder aquisitivo dos necessitados. Além disso, a criação de novos programas sociais como o Bolsa Família é imprescindível para proporcionar suporte financeiro a aqueles que sofrem de insegurança alimentar.