A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 05/10/2021
No século XIV, na idade média, o episódio conhecido como ‘A Grande Fome’ matou, aproximadamente, um terço da população européia em razão das adversidades climáticas e aumento dos preços das mercadorias, o que dificultava o acesso aos alimentos. Hodiernamente, no Brasil, a problemática da fome ainda apresenta desafios a serem combatidos, pois há pessoas morrendo, seja por descaso governamental, seja pela má distribuição de renda no país.
Em primeira análise, vale ressaltar que apesar da criação de programas sociais, como o Fome Zero e o Bolsa Família, que objetivam prover condições mínimas de sobrevivência, não abrangem todos os brasileiros, tendo em vista as limitações de financiamento dos programas. Tal situação, é agravada não somente por causa da pandemia de Covid-19, mas também pelo desemprego em massa que corresponde a 14 milhões de pessoas sem renda. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mais de 7 milhões de pessoas sofrem com a fome, sobretudo, na região nordeste do país. Em outras palavras, há problemas mais sérios e complexos a serem tratados do que prescrever a Cloroquina e recomendar tratamentos precoces para a pandemia.
Em segunda análise, o território referido ocupa as “melhores” colocações no ranking de Gini, ou seja, índice que mensura a desigualdade de um país. Segundo o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômia Aplicada), o Brasil está entre os 5 países com o maior índice. Tal cenário, é verificado no exacerbado poder de compra nas mãos de poucos e o mínimo de renda nas mãos de muitos assalariados de classe média que, com fome, fazem o país “andar”. Além disso, o “celeiro do mundo” é considerado uma referência em exportar ‘commodities’ de qualidade para os demais continentes em detrimento da própria população que, em sua maioria, precisa beber água para desfarçar a fome durante as noites. Logo, nota-se a necessidade de ações públicas que mitigem essa arcaica mazela social.
Evidencia-se, destarte, que a fome é uma questão de cunho público e político que deve ser averiguada para, de fato, atenuá-la. Para tanto, cabe ao Governo Federal promover práticas que fomentem e reforcem os programas sociais já existentes, afim de garantir que pessoas desassistidas possam ser alimentadas. Nesse sentido, esses processos serão mediados com o apoio do setor privado, como o Mercado Livre e grandes distruidoras de alimenos, que atuará na logistica e distruição dos produtos. Assim, certamente, medidas como essas serão irrefutáveis para evitar que um evento tão catastrófico quanto o ocorrido no período medieval aconteça na América Latina.