A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 11/10/2021
A constituição de 1988, símbolo da democracia, teve colaboração de grande parte dos cidadãos brasileiros na sua elaboração, que defende como direitos básicos à alimentação, educação e saúde. No entanto, a mesma não acontece porque as pessoas passam fome. Deste modo, com um Brasil em conluio com o mercado externo e o desmantelamento de políticas públicas, o país que sustenta outros 180, tem grande parte de sua população passando fome.
Como já dito por Milton Santos, apesar da 4ª fase da globalização ser focada no meio técnico, científico e informacional, ela se deu de forma perversa e desigual, ou seja, mesmo em dependência de altas máquinas, melhor conservação de alimentos e modernização do campo, a parcela mais necessitada da população ainda é excluída e passa fome devido ao Estado, que em conluio com o mercado externo não abastece seu próprio mercado e exporta seus produtos. Logo, o estudo incentivado pelo Grupo de Pesquisa Alimento para Justiça da Universidade Livre de Berlim, na Alemanha e realizado pela UFMG junto a UnB, que comprovou que 125,6 milhões de pessoas no Brasil se encontram em situação de insegurança alimentar, mostra o quão urgente é tomar medidas para que o direito à comida, um direito considerado básico pela constituição, pare de ser violado.
Ademais, devido aos novos enfoques dos interesses do governo brasileiro, políticas públicas como o Bolsa Família, o programa de renda básica emergencial e outras mais que movimentam a economia, vêm sendo desmanteladas para atender às novas demandas do mercado. Desta maneira, com o encerramento desses programas, além do enfraquecimento da economia, o Brasil ressurge no mapa da fome, o que não acontecia desde 2014 em razão da campanha contra a desnutrição infantil feita pelos postos de saúde. Além disso, deve-se contar também que com a reabertura das escolas após o enfraquecimento do coronavírus no país, a merenda escolar conta aos alunos 3 momentos de refeição ao dia, o que apesar de não ser uma solução, aumenta ainda mais as chances de permanência do aluno na escola.
Portanto, com grande parte do Brasil em situação de fome grave e mercados desabastecidos, cabe a instituições governamentais aumentar o salário mínimo e ressuscitar políticas públicas, para retirar o Brasil do mapa da fome, com o objetivo de assim devolver e cumprir com os direitos básicos dos cidadãos brasileiros.