A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 08/10/2021

A obra literária “Quarto de Despejo”, de Carolina Maria de Jesus, retrata as situações desumanas em que a população pobre brasileira se encontra. Ao longo do livro, ela narra os meios de sobrevivência que encontrou sendo moradora de uma favela em São Paulo e enfatiza que: “A tontura do álcool nos impede de cantar. Mas a da fome nos faz tremer. Percebi que é horrível ter só ar dentro do estômago”. Nesse âmbito, é notável que, por mais que esteja fora da realidade de muitos, a fome no Brasil afeta milhões de pessoas e, lamentavelmente, vem crescendo nos últimos anos, devido a má administração e distribuição dos alimentos, além da desigualdade disparada presente no país. Dessa maneira, medidas são necessárias para que tal problema seja atenuado.

É irrefutável, em primeira análise, o fato de que a distribuição de alimentos no Brasil é totalmente desigual e, por conseguinte, a falta desse em muitas mãos é ocasionada. De acordo com uma matéria divulgada pelo “site da BBC”, o Brasil é o terceiro país que mais produz alimentos no mundo. Todavia, nos últimos 4 anos, houve um aumento de cerca 3 milhões de pessoas na situação de fome no país, fato um pouco contraditório, haja vista que é produzido comida o suficiente para abastecer toda a população. Dessa forma, torna-se claro que esse problema se deve por uma má administração do governo que, por sua vez, deveria fazer um planejamento prévio para que os alimentos chegassem na mesa de todos.

Além disso, é de suma importância ressaltar que o Brasil é um país que apresenta uma imensa desigualdade de classes, onde poucos concentram a maior parte das riquezas e grande parcela da população não possui sequer comida para se alimentar. Nesse viés, observa-se que essa desigualdade vai de acordo com o princípio da “Cidadania Mutilada”, fundamentada pelo geógrafo brasileiro Milton Santos, segundo a qual apenas os mais ricos usufruem, de forma verdadeira, dos seus direitos, como é o caso do acesso à alimentação no país, por exemplo. Assim sendo, problemas como a fome poderiam ser reduzidos, apenas se todos fossem colocados em um mesmo patamar e recebessem oportunidades iguais.

Pode-se visualizar, portanto, que o Brasil carece de medidas para a atenuação da fome. Logo, cabe ao Ministério da Cidadania - órgão responsável pela garantia do direito ao alimento - fazer um melhor planejamento de como os alimentos serão distribuídos, racionando de maneira igualitária e promovendo campanhas e mutirões para a doação de comida, de maneira em que todos os cidadãos tenham acesso a essa necessidade básica. Desse modo, o combate à fome torna-se viável em prol de uma sociedade mais democrática.