A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 07/10/2021

Alavancada pela atual crise sanitária, a expectativa da volta do Brasil, menos de uma década depois de sua saída, ao mapa da fome é cada vez mais alta. É necessário, contudo, recordar os fatores precedentes à pandemia que corroboram para que a questão da fome seja algo estrutural no país, sendo a distribuição dos alimentos e a desigualdade de renda os principais entre eles.

A princípio, cabe destacar o caráter agroexportador que o Brasil sempre demonstrou desde sua emancipação, tendo o mercado externo como foque de distribuição e venda dos gêneros agrícolas. Tal herança faz com que, ainda hoje, o suprimento do mercado interno seja feito por agricultores familiares, que, segundo uma pesquisa publicada no G1, são responsáveis por 70% da dieta do brasileiro atualmente. Dessa forma, mesmo sendo um dos líderes de produção de alimentos, o Brasil não produz para satisfazer a demanda da própria população, priorizando sua economia as custas do combate à fome no próprio território.

Ademais, é importante ressaltar que a fome não se limita à privação de alimentos, mas também à variedade necessária para manter as atividades inerentes à vida, pois a desnutrição é tão preocupante quanto a subnutrição. Há quem diga que “nem só de pão vive o homem” o que, em seu sentido literal, é a mais pura verdade, pois o ser humano deve ingerir doses diárias de vitaminas e sais minerais para que seu organismo funcione corretamente e de maneira saudável, por isso a discussão sobre a fome também se extende para a qualidade do alimento ofertado. Em virtude da expressiva desigualdade de renda que assombra o país, muitos brasileiros tem sua dieta limitada por justamente não conseguirem acompanhar com seu ganho salarial, o preço intrínseco as suas necessidades biológicas.

Para que, assim, o Brasil se desvencilhe e consiga se manter fora do mapa da fome são necessárias algumas medidas. A primeira delas seria em relação aos agricultores familiares que, por serem responsáveis por mais da metade da comida nos pratos das famílias brasileiras, devem receber incentivos do Estado, como menos burocratização para a liberação de crédito financeiro, a fim de que consigam aumentar sua capacidade produtora e o seu acesso ao mercado consumidor. Além disso, é indispensável que programas como Bolsa Família sigam recebendo recursos e se inovando anualmente para que as populações mais carentes sempre tenham acesso aos bens de consumo básicos.