A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 10/10/2021

Alimentando a fome

No filme “ A Fantástica Fábrica de Chocolates”, o menino Charlie pertence a uma grande e pobre família, motivo pelo qual sua mãe precisa fazer a comida render mais, o que é observado na cena em que coloca mais água na sopa por falta de ingredientes. Fora da fantasia, milhões de brasileiros vivem numa realidade igual ou pior à de Charlie, acrescentando água à sopa e, muitas vezes, passando fome. Assim, é preciso analisar os fatores motivadores dessa situação, mencionando os altíssimos preços dos alimentos básicos e a falta de incentivos governamentais para melhorar tal cenário.

Inicialmente, é necessário elucidar que o Brasil é um dos maiores produtores e exportadores mundiais de alimentos, provenientes dos grandes agronegócios, que, por sua vez, recebem elevados investimentos públicos. Entretanto, a maior parte dos alimentos consumidos no Brasil é oriunda da agricultura familiar, realizada por pequenos proprietários rurais, os quais, ao longo dos anos, perderam considerável incentivo governamental. Isso gera uma diminuição na produção alimentícia e, ao mesmo tempo, maior procura por comida, aumentando, assim, os preços e a quantidade de pessoas passando fome no Brasil.

Além disso, a falta de políticas públicas para combater a fome, como a geração de empregos e uma distribuição de renda mais igualitária, tem contribuído para a piora do cenário. Segundo o levantamento feito pela ONU sobre a situação global de carência alimentar, o Brasil havia saído do Mapa da Fome em 2014. Contudo, a crescente taxa de desemprego, desprezada pelo governo e acentuada pela pandemia do coronavírus, juntamente com o aumento dos preços dos alimentos, fizeram o Brasil retornar ao Mapa da Fome em 2020.

Perante o exposto, necessário se faz maior atuação governamental na luta contra a fome no Brasil. Isso deve se dar por meio de maior geração de empregos, bem como liberação de verbas para a agricultura familiar e mais equivalência na distribuição de renda. Somente assim será possível que haja um aumento na produção alimentícia e consequente declínio dos preços. Dessa forma, observar-se-á um decréscimo na quantidade de famílias em situação de extrema pobreza, as quais, com o cumprimento de tais medidas, não precisarão adicionar água à sopa, como fazia a mãe de Charlie.