A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 05/11/2021

Com o início da Revolução Industrial no século XVIII o mundo passou por transformações importantes. A transição de uma época marcada por fome e pobreza, para agora, em tese, maior qualidade de vida, foi almejada nos países. Todavia, essa qualidade não foi alcançada por todos, e recursos básicos como alimentação não são tangíveis a toda população, como em questão, a brasileira. Assim, torna-se necessário analisar o problema da fome no Brasil dentro de dois viéses: a destribuição desigual dos alimentos agrícolas e a desigualdade socioeconômica.

A prióri, um dos fatores motivadores para a manutenção da fome, é o cenário agrário e alimentar do país. O Brasil, desde colonização de povoamento, foi pensado em uma perspectiva latifundiária, ou seja, muita terra nas mãos de poucos. Sendo um país majoritariamente rural, em que o agronegócio é responsável pela maior parte do PIB, seria coerente que boa parte de sua população, principalemente do campo, tivesse acesso à terras e que pudessem realizar a agricultura familiar. Todavia, tendo suas raízes bem firmadas no latifúndio, pequenos agricultores e a população de baixa renda dos centros urbanos e cidades interioranas, não possuem acesso à plantios suficientes para o consumo próprio, ficando a mercê dos produtos ofertados pelo grande agronegócio, que sofre influência direta do mercado nacional e internacional, sofrendo assim reajustes de preços constantemente, não sendo possível o acesso, devido o alto valor, a toda população.

Outrossim, a realidade socioecônomica do país garante a perpetuação da fome. Segundo estudo recente sobre a situação da fome no Brasil, atualmente, pelo menos metade dos brasileiros se encontram em estado de “insegurança alimentar”, que caracteriza o não saber se terá alimento no dia, ou se esse alimento será o suficiente. Assim, esse número é espelho de uma sociedade desigual e segregacionista, que durante a pandemia do Coronavírus foi ainda mais enfática quanto essa questão, tanto pelo aumento de desemprego, como pelo aumento dos preços dos alimentos. Nesse panorama, o acesso a alimentação tornou-se ainda mais difícil, sendo comum milhares de famílias começarem a consumir restos alimentares impróprios.

Em suma, faz-se imprescindível a tomada de medidas atenuantes diante do entrave abordado. Posto isso, concerne ao Ministério da Economia junto ao Ministério da Agricultura a garantia de políticas públicas já existentes, por meio do bolsa-família, auxílio emergencial, programas de agricultura familiar e restaurantes populares, tais projetos ofertariam não só uma renda mensal básica e proporcional a cada família, como também ofertaria ao menos uma refeição nos restaurantes populares, aumentando sua área de atuação, objetivando assim o acesso mínimo a cada pessoa em situação de fome.