A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 07/10/2021
A série da Netflix The Rain, de 2017, mostra como uma epidemia pode afetar a vida das pessoas e acabar gerando novas epidemias, como o vício em drogas ou a fome. Similarmente, vemos hoje no Brasil como uma ampla e difundida política de destruição de programas de estímulo da agricultura familiar e combate à fome colocou o país, juntamente com a Índia e a África do Sul, de acordo com a Oxford, como um dos focos emergentes de fome estrutural desde o início da pandemia do COVID-19. Além disso, a fome e a desigualdade estiveram na história do país desde sua criação. Apesar do governo atual ter extinguido o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) em 2019, tal projeto político não começou com ele. Em 2018, o Brasil voltou ao Mapa da Fome da ONU pela primeira vez após sua saída, quatro anos antes. Para os pesquisadores da Universidade Live de Berlim, as razões para este retrocesso foram o fim do Ministério do Desenvolvimento Agrário (2015) e o baixo investimento nos Programas de Aquisição de Alimentos (PAA) e de Alimentação Escolar (PNAE). É possível, portanto, dizer que as políticas públicas são ferramentas essenciais para reverter essa situação, mas que podem ser usadas para o contrário, de acordo com o que mais beneficiará os membros do Estado. Por outro lado, a falta de incentivos quanto à qualidade da educação e profissionalizações públicas, por exemplo, levam muitos brasileiros ao desemprego ou a trabalhos informais que acentuam a desigualdade social enraizada nas estruturas do Brasil. Ademais, o Brasil está entre os dez países mais desiguais do mundo, de acordo com a ONU, com 1% da população concentrando quase um terço de toda a renda brasileira. Portanto, para erradicar a fome estrutural no país, a população deve escolher candidatos que se preocupem em criar mais políticas públicas, como o Bolsa Família, e campanhas, como a Tem Gente Com Fome - que arrecada recursos com a intenção de alimentar 222.895 mil famílias -, mas também, e principalmente, que se preocupem em enfrentar e lutar contra as desigualdades históricas brasileiras, por meio de saúde e educação públicas de qualidade, redistribuição de renda e terras, criação de empregos e incentivo à agricultura familiar e de subsistência. Se isso ocorrer, o Brasil deixará o mapa da fome da ONU, sem correr o risco de voltar.