A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 09/10/2021

A fome no Brasil: Estado Dual baseado na Banalidade do mal

A ideia de Banalidade do Mal, criada pela filósofa Hannah Arendt, aponta uma sociedade na qual há a normalização de situações que representam o mal. No Brasil atualmente, é notório que boa parte das situações do cotidiano acabam se enquadrando no conceito da alemã, principalmente em grandes problemáticas que assombram a população, como a questão da fome. Neste caso, isso se deve a um Estado em conluio com o mercado, representando valores capitalistas, que acaba gerando um aumento interno no preço dos alimentos, assim trazendo o desafio da segurança alimentar.

Primeiramente, cabe ressaltar uma preferencia por parte do governo nacional, em favorecer os grandes produtores de commodities para exportação em detrimento dos pequenos agricultores, os quais são os principais abastecedores do mercado interno. Sob tal perpectiva, os dados da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos, que apontam o Brasil como o segundo maior exportador de alimentos do mundo, contrastam com os 10 milhões de brasileiros em situação de insegurança alimentar grave, como divulgado pelo IBGE em 2020. Assim, essa ligação entre Estado e economia se torna um grave fator motivador da fome.

Como consequencia, as dificuldades enfrentadas pelos pequenos agricultores, por conta da insuficiência de apoio governamental, atingem a população através de aumentos no preço dos alimentos. Desta forma, indivíduos com baixa renda se tornam os mais afetados, uma vez que esse aumento atinge com uma maior intensidade os itens da cesta básica, como foi o caso do arroz, que sofreu uma alta de 42% em agosto de 2020, segundo informações da CNN. Logo, como a grande maioria da população brasileira tem uma renda mensal baixa, a fome acaba sendo uma realidade para muitos, que precisa ser combatida.

Portanto, para conseguir garantir alimentos a preços acessíveis e assim reduzir a taxa da população em situação de fome, cabe ao Ministério da Agricultura, Pecuária e órgãos de abastecimento, redirecionar seu recursos de forma menos desigual, por meio de incentivos aos pequenos agricultores com o intuito de balancear de forma correta a distribuição dos alimentos entre a exportação e recursos destinados ao mercado interno. Somente assim, haverá uma diminuição no preço dos alimentos além de uma melhor organização em sua distribuição que, consequentemente, levariam à uma redução considerável nas taxas de fome do país, não sendo mais considerada uma situação caracterizada pelo mal banal.