A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 08/10/2021
A partir da década de setenta, no contexto de ditadura militar e guerra fria, teve início à revolução verde no Brasil - período em que expandiu-se a fronteira agrícola por meio de incentivos governamentais, financiamento de multinacionais e comércio de novos pacotes tecnológicos. Todavia, a mecanização na produção fundiária gerou uma massa de desempregados que migrou para as margens dos centros urbanos, elucidando que a produção alimentícia no sistema econômico vigente, o capitalismo, descumpre a função de alimentar a todos em prol da lucratividade dos latifundiários.
Segundo o Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar, em 2020, aproximadamente 19 milhões de pessoas passavam fome no Brasil. Tal conjuntura é subsequente não apenas da crise econômica que foi intensificada com a pandemia da Covid-19 - que impossibilitou grande parcela da população de se alimentar adequadamente com o aumento do desemprego, assolando 14.7 milhões em 2021, conforme o IBGE - Índice Brasileiro de Geografia e Estatística -, mas também por um fator estrutural que já persiste em manter elevados números de famintos no Brasil há mais tempo, sendo ele o sistema de produção do agronegócio. Ou seja, a produção em larga escala de commodities voltados para a exportação ocorre de acordo com os interesses de acumulação de mais-vália dos proprietários dessas atividades econômicas rurais, e não porque a produção está exclusivamente voltada para alimentar a população do respectivo país, nesse caso, o Brasil.
Além disso, tal condição impõe-se pela ausência de um planejamento estatal da produção, com capacidade do estado controlar o que for produzido, consoante as reais necessidades da população. A nacionalização do setor industrial alimenticío e agrícola é uma via apta a direcionar a produção aos que passam fome, invés de para quem pagar mais. Enquanto o sistema produtivo privado, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos, fez o Brasil exportar comida para mais de 180 países, enquanto nacionalmente há dados alarmantes em relação à fome, como comprova o dado supracitado do Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar.
Em suma, nacionalizando setores estratégicos da econômia - entre eles a indústria alimentícia e os latifundiários que ocupam terras cultiváveis -, pode-se reconfigurar os fatores motivacionais da fome no Brasil. Por meio dessa alteração economica no país, o estado teria controle sobre as terras cultivaveis e o destino de sua produção. Com isso, seria viável a diminuição de preço dos produtos alimentícios no mercado, uma vez que o abastecimento interno dos varejos e restaurantes não proveriam da importação de produtos - consequentemente mais caros, levando em consideração os impostos e o câmbio monetário -, todavia consumiria-se o produto mais acessível economicamente: o nacional.