A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 10/10/2021
A obra “Vidas Secas” de Graciliano Ramos, retrata a jornada de uma simples família, a qual defronta condições miseráveis no que concerne à alimentação no sertão nordestino. Fora do romance, na conjuntura atual brasileira, muitos indivíduos vivenciam uma realidade similar, na qual a questão da fome faz-se bastante presente. Isso ocorre em razão da negligência estatal, somada à exportação em massa de commodities no Brasil.
Em primeiro lugar, é importante destacar que a falta da ação do estado contribui com o problema da alimentação no país. No ano de 2016, foi autorizada uma PEC que congelaria, pelos próximos 20 anos, o dinheiro destinado aos gastos públicos. Entretanto, tal proposta foi alvo de inúmeras críticas, já que revelaria uma contradição do Estado Brasileiro, o qual alega ser democrático, porém possui planos neoliberais que atuam em benefício do lucro e dos interesses privados. Nesse sentido, com a concretização da PEC, reduzem-se as políticas responsáveis pelos investimentos nos setores públicos, como aqueles de assistência social que oferecem o Bolsa Família, por exemplo, o qual foi um grande agente em 2014 na retirada da nação do Mapa da Fome. Assim, sem investimentos nesses programas, muitas famílias, especialmente aquelas em condições mais vulneráveis, não possuem renda o suficiente para se alimentarem de maneira adequada e, por consequência, experienciam a fome.
Ademais, outro fator que impulsiona essa problemática é o foco dado nas exportações em detrimento das necessidades internas. Segundo o historiador Caio Prado Júnior, o Brasil teve o seu crescimento “de fora para dentro”, ou seja, o maior compromisso da nação encontra-se com o mercado internacional. Com efeito, percebe-se a relação do pensamento do intelectual com a temática da fome, uma vez que, mesmo o país sendo um dos maiores produtores de culturas agrícolas no mundo, elas, em sua maioria, são transformadas em commodities para atenderem à demanda estrangeira, o que acarreta uma má distribuição local. Dessa maneira, observa-se um cenário incompatível, tendo em vista que no país, milhares indivíduos inseridos em circunstâncias precárias carecem da aquisição de alimentos e enfrentam a fome, enquanto a agricultura faz-se uma das atividades mais populares.
Portanto, conclui-se que medidas devem ser tomadas para que a questão da fome amenize-se no Brasil. Logo, é papel do Estado, pois é o órgão de maior poder público, investir em programas de assistência social, por meio de verbas governamentais, a fim de promover melhores condições e oportunidades às famílias que sofrem desse problema. Além disso, cabe ao governo estabelecer uma quantia limite de produtos que serão exportados ao exterior, com o intuito de que os alimentos sejam distribuídos uniformemente ao povo tupiniquim.