A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 09/10/2021
No universo fictício da saga de livros “Jogos Vorazes”, a desigualdade social é marcante e evidenciada na questão da fome. Enquanto uma pequena parcela da população concentra a renda e se lambuza com grandiosos banquetes, o restante das pessoas que são, sobretudo, trabalhadores rurais, passam fome, pois exportam a maior parte da sua produção à metrópole. Esse cenário reflete-se na realidade brasileira atual, a qual coloca o país enquanto um grande produtor de alimentos, ao passo que o número de milhões de cidadãos em situação de insegurança alimentar tem voltado a subir nos últimos anos, estando eles, majoritariamente, em zonas rurais. Além da falta de investimento governamental na agricultura familiar, a crise econômica decorrente da pandemia da COVID-19 serviu como fator motivador desse panorama.
O agronegócio brasileiro, apesar de possuir grande relevância econômica internacional, não supre as necessidades alimentares dos cidadãos do país. Isso pois, ele fomenta a produção em larga escala de alimentos industrializados e não perecíveis, próprios para a exportação. Enquanto isso, os reais responsáveis pela alimentação cotidiana no Brasil são os pequenos agricultores familiares, que produzem para o seu próprio subsídio e vendem os excedentes aos supermercados. Entretanto, esse setor tem recebido cada vez menos investimento estatal, resultando no aumento violento dos preços da comida e na decorrente impossibilidade de muitos, inclusive dos próprios produtores, de terem acesso a ela.
No ano de 2020, o surgimento da pandemia do Corona Vírus aterrorizou o mundo. No Brasil, o despreparo dos governantes para controlar a situação e a consequente falta de medidas que assegurassem o direito da população em cumprir com as recomendações da OMS, somente agravaram a questão da fome. Pela insuficiência do auxílio emergencial, muitos brasileiros precisaram optar entre se proteger e ir trabalhar para garantir a alimentação e moradia de suas famílias, resultando não só na superlotação de hospitais e postos de saúde, como na volta do país ao mapa da fome.
Tal como é retratado em “Jogos Vorazes”, no Brasil, urge a necessidade de políticas públicas que garantam aos trabalhadores acesso aos recursos que, muitas vezes, eles mesmos produzem. Ao invés do enfoque em setores econômicos que suprem apenas as necessidades internacionais, é necessário que haja mais projetos sociais estatais que garantam aos pequenos agricultores os empréstimos e investimentos necessários para que eles sigam abastecendo os mercados e feiras do país. Desse modo, com auxílios monetários significativos, essas pessoas terão condições de superar as dificuldades de dentro e fora da pandemia, produzindo, cada vez mais, alimentos acessíveis para todos.