A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 09/10/2021
A miséria é um produto humano e um desafio ético, disse o sociólogo Herbert de Souza na Assembleia da ONU em 1994. Com base nessa afirmação, nota-se que a fome foi construída historicamente e sua origem estava relacionada à propriedade de terras que, promoveu a concentração fundiária, fortalecimento de uma elite oligárquica e massas de ex-escravos, imigrantes e trabalhadores livres deixados por conta própria. O resultado, então, foi o massacre causado pela fome nas próximas décadas. Portanto, a questão da fome no Brasil é motivada por fatores políticos, sociais e econômicos.
Os fatores políticos que causaram esse impasse devem ser levados em consideração. Ao mesmo tempo em que o estado agiu em favor de uma oligarquia que criou a lei de terras no segundo reinado; no governo do PT, ele criou uma política social que teve um efeito positivo na redução da população miseravel. Embora a ação política no final do século 19 tenha contribuído para problemas como a fome, diminuiu significativamente na década de 2000, retirando o Brasil do mapa da fome mundial, segundo o relatório da ONU de 2014. a política é fundamental para agravar e erradicar o problema da fome.
No entanto, mais de sete milhões de pessoas ainda passam fome no Brasil, segundo dados do IBGE publicados no mesmo ano do relatório da ONU. Isso também se explica pelos fatores econômicos envolvidos nesse processo, pois a política econômica atual é agroexportadora, ou seja, a exportação tem prioridade sobre o abastecimento interno. Isso causa escassez e inflação, os produtos ficam mais caros e as pessoas com rendas muito baixas devem priorizar, excluir ou até mesmo não comprar determinados produtos. Parece, portanto, que a política econômica está interferindo diretamente no tema da fome.
É preciso considerar também os fatores sociais que motivam a fome no Brasil, pois, segundo Karl Marx, existe a luta de classes entre os trabalhadores e a burguesia. Essa luta se dá pelo conflito de interesses de ambas as classes, pois para uma concentrar renda, terra, criar monopólios e privilégios, a outra deve perder direitos, condições de vida e passar fome. Portanto, o fator social é o motivador da fome.
Assim, entende-se que a fome é política, econômica e social. Portanto, é necessario que o Executivo, junto com o INCRA, coloque a reforma agrária na agenda, o legislador deve administrar as lacunas nas leis de posse de terra e as corregedorias do estado examinam todos os documentos de posse de terra para cancelar atos fraudulentos. A terra devolvida ao domínio público pode ser redistribuída aos pequenos agricultores. Como resultado, as desigualdades serão reduzidas, o desenvolvimento ocorrerá e o problema da fome será superado.