A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 14/10/2021
Desde quando o atual território brasileiro foi invadido pelos portugueses, em 1500, o povo tupiniquim se submete às requisições do exterior, fornecendo alimento e matéria-prima aos países hodiernamente desenvolvidos e, assim, focando uma economia de exportação. Isso era o que defendia Caio Prado Júnior, sociólogo brasileiro. Assim, é justificável a contradição entre a grande quantidade de alimentos produzidos no Brasil e o grande número de famintos nesse país, pois, sendo subdesenvolvido, torna-se desafiador emergir a uma postura de superioridade, em que se reserve mais alimento, ao invés de exportar. Porém, a ausência de capital econômico individual se apresenta como fator ainda mais superficial, visível e tangível, para a manutenção da fome, quando é levado em conta o ciclo da pobreza, sendo mais facilmente manipulável por medidas interventivas.
Então, inicialmente, com o Brasil sendo submisso à Coroa Portuguesa e, depois, a países desenvolvidos como os Estados Unidos, a economia aparentemente mais viável no território, de grande produtividade agropecuária, praticamente sempre foi voltada ao mercado externo, que lhe retornava produtos manufaturados e, depois, industrializados. Por isso, não houve uma forte industrialização nacional e o país se tornou subdesenvolvido, estagnado na função de exportar alimentos e matéria-prima, por não possuir condições de fabricar produtos de alta tecnologia que substituam tais recursos para, assim, prevenir a fome de seu povo. Além disso, uma iniciativa de emersão do Brasil pela industrialização, segundo Celso Furtado, desagradaria os países que dependem da nossa subordinação e isso prejudicaria a economia, mesmo que tal pena durasse um período finito, apenas na transição.
Por outro lado, um fenômeno que promove a manutenção direta da fome é o ciclo da pobreza, significantemente mais tangível que o último. No curta-metragem brasileiro Vida Maria, é apresentada uma menina que, assim como a mãe e a avó, não possui recursos para desenvolver conhecimento e habilidades, por conta da falta de dinheiro, e, por isso, não teria condições para sair futuramente da pobreza com um emprego melhor remunerado. Dessa forma, sua futura filha, assim como ela quando criança, deixa de estudar para trabalhar, por lhes faltar dinheiro, e se incapacita de ser bem paga quando adulta, pois não se desenvolveu adequadamente. Considerando a fome como proveniente direta da pobreza, o mesmo fenômeno cíclico promove e se propaga por essa problemática.
Portanto, o Brasil tem a escolha de investir na industrialização, arriscando um possível embargo econômico, ou poderia promover, através do poder Executivo, políticas tangíveis de auxílio financeiro, como o auxílio emergencial da pandemia da Covid-19, a fim de servir como força de ignição a qual romperia tal ciclo famélico de uma pobreza retroalimentadora.