A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 14/10/2021
“A essência dos Direitos Humanos é o direito a ter direitos”. Essa frase, da filósofa judia Hannah Arendt, aponta para a importância de os direitos serem mantidos na sociedade, para que esta seja justa e que ofereça, aos que nela vivem, bem-estar e qualidade de vida. No entanto, no que concerne à questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores, verifica-se uma lacuna na manutenção dos direitos humanos, o que configura um grave problema. Para discutir a insegurança alimentar no Brasil, é preciso entender suas raízes e a relação de tal assunto com a falta de distribuição de renda e, consequentemente, o difícil acesso aos alimentos.
De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade pode ser comparada a um “corpo biológico” e desse modo, para que esse organismo seja igualitário e coeso, é necessário que todos os direitos dos cidadãos sejam garantidos. Contudo, segundo FAO, ONU e a OMS, entre 2018 e 2020 a fome atingiu 7,5 milhões de brasileiros sendo que entre 2014 e 2016, esse número era bem menor: 3,9 milhões, o que exemplifica a falha de um dos órgãos sociais que compõem o corpo do país. Ao mesmo tempo, segundo a CNN Brasil, no 1º trimestre de 2021 os 10% do topo da distribuição de renda passaram a ganhar, em média, 42,3 vezes mais que os 40% da base da distribuição de renda. Esse aumento da desigualdade social tem uma relação direta com o aumento da insegurança alimentar no Brasil de modo que, enquanto alguns possuem mantimentos de sobra, outros necessitam comprar restos de ossos do açougue para seu sustento.
Segundo o artigo 25 da Declaração dos Direitos Humanos toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saúde e o bem-estar, sendo a alimentação um fator essencial para essa ação e, analisando o contexto atual, a negligência do Estado se torna evidente quando se trata de tal assunto. “Não compre feijão, compre fuzil” foi uma das falas do atual presidente do Brasil, Jair Bolsonaro diante do aumento exacerbado do custo desse alimento, exemplifica essa afirmação e mostra que a atual postura Estatal do país é priorizar a banalização da violência do que enfrentar o fato de que o Brasil, depois de 7 anos, está de volta ao mapa da fome da ONU.
Em conclusão, as diferenças sociais e o desperdício de alimento corroboramo aumento da fome no Brasil. Para diminuir os índices de desnutrição, emerge que o Ministério Público auxilie projetos de ONGs que visem elevar o número de pessoas com acesso à alimentação, construindo restaurantes populares e refeitórios com valores acessíveis. Além disso, o Ministério da Cidadania em conjunto aos canais midiáticos devem conscientizar a população, instruindo-a acerca das medidas necessárias para diminuir o descarte desnecessário, gerando uma maior acessibilidade aos alimentos.