A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 14/10/2021
No ideário de Gilberto Dimenstein, é dito que existem diversas prerrogativas do cidadão brasileiro, mas essas não são efetivadas na realidade da nação, o que submete muitas pessoas a condições precárias. Dessa maneira, nota-se que direitos básicos da humanidade se encontram defasados no cotidiano popular, sobretudo nas áreas mais pobres. Um desses é a alimentação, que não é alcançada por certos grupos sociais em decorrência do baixo poder aquisitivo e, além disso, da localização marginalizada na qual vivem.
Diante desse cenário, deve-se analisar os dados referentes à fome no país. Tem-se que o valor percentual de presença desse problema social é dobrado em lugares rurais, segundo o Toda Matéria, e que essa taxa é ainda mais elevada no interior da região nordeste, característico pelo clima seco, tal como pela ausência de atividades econômicas lucrativas e de rendas elevadas. Assim, não é favorecida a agricultura de subsistência nem a compra de comida de outras áreas brasileiras, provocando insegurança alimentar.
Ademais, o Brasil é marcado pela desigualdade social, o que subjuga a parcela mais pobre da população. De acordo com o G1, o país é colocado na segunda posição do ranking mundial de distribuição desigual de riquezas por possuir quase 30% delas retidas em apenas 1% dos indivíduos de maior poder aquisitivo. Dessarte, levando em consideração que se trata de uma economia ainda em desenvolvimento cujo PIB per capita não excede 15 mil dólares anuais, não há dinheiro suficiente nas mãos dos menos favorecidos monetariamente para acessar itens básicos de consumo como alimentos, evidenciando a problemática da concentração de bens.
Portanto, a desigualdade social e as adversidades de locais marginalizados são fatores responsáveis pela alimentação precária dos brasileiros. A fim de solucioná-los, o Poder Legislativo deve propor um projeto de lei que realize a construção de uma rede de fornecimento de água visando a possibilitar a produção familiar de alimentos no sertão nordestino e uma reforma tributária que diminua as taxações sobre esse tipo de produto nos mercados, além de aumentar os impostos das exportações, diminuindo o preço local da comida. Dessa forma, distancia-se da conjuntura descrita pelo escritor de “O Cidadão de Papel” e se alcança uma sociedade mais humanizada.