A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 16/10/2021

A Constituição federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê, em seu artigo 6º, o direito à alimentação como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa a questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores, dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise da falta de medidas governamentais para combater a fome e a indiferença e banalização da questão para a população.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a questão da fome no Brasil. Nesse sentido, o governo investe pouco em ações que incentivem a distribuição de alimentos para populações carentes e moradores de rua, como, refeições comunitárias. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a alimentação, o que infelizmente é evidente no país.

Ademais, é fundamental apontar a indiferença e banalização como impulsionador do agravamento da fome no Brasil. A “Atitude de Blasé” - termo proposto pelo sociólogo alemão Georg Simmel no livro “The Metropolis and Mental Life” - ocorre quando o indivíduo passa a agir com indiferença em meio às situações que ele deveria dar atenção. Dessa forma, tal pensamento cabe perfeitamente a casos que a população passa a ignorar pessoas em situação de fome por se tratar de algo normal e recorrente, agravando o problema e tornando-o mais difícil de ser tratado.

Destarte, uma das medidas de curto prazo seria intensificar o recolhimento de alimentos, esses que iriam para o lixo por não ter uma boa aparência, em supermercados e restaurantes e oferecê-los em centros de ajuda, trabalho o qual é feito por voluntários, mas, que poderia ser melhorado com auxílio do governo oferecendo transporte ou combustível aos voluntários. Também é necessário que o Governo, por intermédio do Misnistério da Educação, promovam campanhas para os pais e alunos em pró da distribuição de alimentos para populações carentes arredores das escolas.  Assim, se consolidará uma sociedade mais democratizada, onde o Estado desempenha corretamente seu “contrato social”, tal como afirma John Locke.