A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 21/10/2021
O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. Essa afirmação da filósofa francesa Simone de Beauvoir pode ser facilmente aplicada ao contexto dos desafios enfrentados com relação à fome no Brasil, já que mais espantoso que a ocorrência dessa problemática é o fato da população se habituar a essa realidade. Diante disso, tanto as desigualdades sociais quanto a negligência governamental contribuem com a perpetuação dessa mácula.
Primeiramente, é imperioso destacar as desigualdades socioeconômicas como promotoras do problema. Embora a Constituição Federal de 1988 garanta em seu artigo 6º o acesso à alimentação para todos, isso não acontece na realidade. Sob esse viés, vale destacar que a falta de alimento atinge principalmente uma parcela da população residente em bairros periféricos, que sofrem não só com a fome, mas também com a má distribuição de renda, desemprego, falta de moradia entre muitos outros problemas que colaboram diretamente com a escassez de comida a mesa. Sendo assim, percebe-se a extrema necessidade do respeito às normas constitucionais, com o intuito de garantir a igualdade.
Ademais, é fulcral pontuar a omissão estatal como um dos fatores responsáveis pela manutenção dessa triste realidade. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre. Nesse sentido, observa-se a falta de políticas públicas e investimentos por parte dos governantes, em áreas sociais básicas indispensáveis para o mínimo existencial. Logo, se tais direitos são violados e negligenciados, de forma que em pleno século XXI muitas famílias não tenham nada para comer, os órgãos públicos têm o dever de reverter esse cenário.
Portanto, o Governo Federal deve, por meio do Ministério da Economia, direcionar verbas às Prefeituras, que serão revertidas em políticas públicas, como a entrega de cestas básicas e criação de restaurantes públicos destinados à alimentação de quem se encontra em extrema pobreza. Esses restaurantes devem ser instalados em todas as cidades brasileiras, contando também com a doação de outros cidadãos que se dispõem a ajudar. Em adição, deve ocorrer um maior investimento na educação a fim de reduzir as desigualdades sociais. Dessa forma, o país sairá novamente do mapa da fome e caminhará ao progresso.