A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 27/10/2021
O livro “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, narra a história de uma pobre família do sertão nordestino que lida, diariamente, com a pobreza, a seca e a fome. Da mesma forma, fora da ficção, muitos brasileiros vivem em um contexto parecido com o da família de “Vidas Secas”, principalmente, no que concerne à fome. Desse modo, é importante analisar seu fatores motivadores, como a injusta distribuição de alimentos e a produção demasiada para exportação.
Sob esse viés, sabe-se que a questão da fome surge, pois a rede de acesso à alimentos no Brasil prioriza algumas regiões em detrimento de outras. Sobre esse ponto, percebe-se uma histórica valorização da região centro-sul do Brasil, desde a exploração do ouro e do café no século XVII e XVIII, respectivamente, na região Sudeste e a instalação da corte portuguesa no Rio de Janeiro em 1808, o que interfere na distribuição de alimentos no país. Assim, essas regiões têm mais destaque no que diz respeito ao acesso à comida, o que gera atraso e precariedade na distribuição de alimentos nas regiões rurais, Norte e Nordeste do Brasil. Logo, se todo o território nacional fosse tratado com igualdade, o problema da fome não seria tão intenso, já que todos obteriam o alimento facilmente.
Ademais, nota-se que o Brasil exporta a maior parte da produção de alimentos, o que demonstra a falta de cuidado com a segurança alimentar dos próprios cidadãos. Acerca disso, o agrônomo Alysson Paulinelli concorreu ao Prêmio Nobel da Paz em 2021, por causa do desenvolvimento do agronegócio no Brasil e, com seu projeto, o Brasil passou a ser um dos maiores exportadores de produtos agrícolas do mundo. Contudo, por mais que o reconhecimento internacional de Alysson seja merecido, é necessário que a exportação não afete a aquisição de alimentos em território nacional, o que não ocorre. Dessa maneira, é inaceitável que o Estado do Brasil tenha mais cuidado com a exportação do que com acesso à alimentos no país, já que isso agrava a questão da fome.
Portanto, tendo em vista os fatores que agravam a fome no Brasil, o Estado brasileiro deve agir. Por isso, esse, por meio da intervenção do Ministério da Agricultura nas relações de importação e distribuição de alimentos, deve aumentar a quantidade e a qualidade dos produtos agrícolas para o consumo nacional, com o intuito de que fiquem no Brasil, além disso, deve ampliar, para áreas mais afastadas dos centros de destaque nacional, a rede de venda de alimentos. Essa ação deve ser tomada a fim de que o acesso à comida seja mais igual e a alimentação nacional seja mais importante que a exportação. Com isso, menos pessoas passarão fome como a família da obra de Graciliano Ramos.