A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 28/10/2021
No filme brasileiro “Não vamos pagar nada”, a falta de emprego e os altos preços do mercado faz com a comunidade, em um ato de revolta, furte o local. De fato, o desespero transmitido por essa obra ficcional é experienciado no cotidiano dos brasileiros. Nesse sentido, debater acerca da questão da fome é pertinente ao Brasil. Sobre essa perspectiva, é apropriado alegar que o desemprego crescente é o principal fator motivador dessa conjuntura e é de responsabilidade do Estado atenuar as consequências que ele causa.
Deve-se pontuar, antes de tudo, que no Brasil existem 13 milhões de desempregados, uma das maiores taxas de desemprego do país na última década, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nessa lógica, é válido afirmar que essa situação fez pessoas que antes conseguiam viver bem, com um salário fixo advindo do seu trabalho, não possuirem mais dinheiro para se alimentar. Segundo o médico Drauzio Varella, a fome é mais dolorosa que doenças crônicas, pois as dores sentidas por ela não são atenuadas com remédios. Logo, presume-se que a falta de recursos financeiros não deveria ser um fator para determinar quem terá o direito de comer, visto que essa é uma necessidade básica do ser humano.
Ademais, mesmo o desemprego atingindo níveis críticos, como demonstrado pelo IBGE, a fome não deveria ser considerada uma consequência justificável dessa conjuntura. Dentre esses efeitos, em 2015, o Brasil se comprometeu em realizar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável propostos pela Organização das Nações Unidas, nos quais uma das metas é não existir mais fome. Por certo, a partir disso, alimentar a população passou a ser não apenas um um ato de zelo do Estado pelos cidadãos, como também algo essencial para a imagem do Brasil no exterior. Desse modo, percebe-se certa urgência na adoção de medidas que coloquem em prática esse acordo internacional.
Torna-se evidente, portanto, que o desespero da comunidade no filme “Não vamos pagar” não pode continuar a ser reflexo da sociedade brasileira. Assim, cabe ao Ministério dos Direitos Humanos, com ações da união dos poderes executivos, criar um projeto de alimentação, com foco levar comida gratuita a todo território nacional, por meio da fundação de supermercados públicos, a fim de possibilitar que os 13 milhões de desempregados não passem fome por falta de trabalho. Além disso, esse projeto deve oferecer mais benefício à sociedade, por intermédio de parceria com pequenos agricultores e contratação pessoas da comunidade, com intuito de garantir a criação de empregos locais. Enfim, a partir dessas ações, a dor da fome não será mais comum aos brasileiros.