A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 03/11/2021
No filme “O Auto da Compadecida” os personagens João e Chicó deu a fome que desola o sertão da Paraíba. Diante disso, compreende-se que desde os anos de 1930 a fome no território brasileiro é tema indubitavelmente efetivo. Em uma das cenas do filme “O Auto da Compadecida” João e Chicó estão passando fome, e Dora uma personagem da sociedade alta aparece dando um bife para seu cachorro, com isso podemos ver como o desperdício e a má distribuição afeta a população, e como a alimentação de qualidade é um direito apenas para os mais ricos. Portanto, as obras se fazem exigidas para resolver a questão. Assim como na obra, a fome se dissemina não apenas por falta de alimentos, mas principalmente, por falta de abastecimento e distribuição de alimentos.
Atualmente, mesmo com os avanços tecnológicos e sociais, milhões de pessoas ainda protegidas com esse problema no nosso país. Em primeiro lugar é importante ressaltar os fatores que contribuem para esse mal. Um deles é o crescimento econômico, insuficiente para acabar com a pobreza no Brasil. São 19 milhões de brasileiros em situação de fome no Brasil, segundo dados de 2020 do PESSÃO. Isso acontece, principalmente, devido à concentração de renda, que faz com que se perpetue uma desigualdade social causada pelo capitalismo, que tem como consequência a fome e a miséria.
Além disso, devemos destacar a instabilidade política, a ineficácia e a má administração de recursos públicos e a injusta estrutura fundiária, que impossibilitam o acesso dos trabalhadores aos meios de produção e concentram as terras nas mãos de poucos. Ademais, as próprias causas naturais, como clima, desastres ambientais, pragas e inundações, são responsáveis por acentuar o problema da fome no Brasil, principalmente no Norte e Nordeste, apesar de não serem tão expressivas quanto a ação humana.
Qualquer tentativa, minimamente séria, de atacar os problemas da fome e da pobreza deve considerar suas mais profundas causas. Ao contrário, a experiência internacional mostra que só se resolve o problema com a ação firme e planejada do Estado. Deve-se romper com uma separação artificial das áreas econômica e social.
Fica claro, portanto, que as políticas de promoção da segurança alimentar devem ser pensadas como parte de um projeto alternativo de desenvolvimento, que tenha como eixo central a promoção de um crescente processo de inclusão social. Então, o Governo deve repensar projetos sociais a curto prazo, reformulando iniciativas antigas, como o Fome Zero e o Bolsa Família, além de, a longo prazo, pensar em outras maneiras de distribuição de renda e reforma agrária.