A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 04/11/2021
No poema “vou-me embora pra pasárgada”, de Manuel Bandeira, vê-se o eu lírico anunciando a sua ida para um lugar melhor, fugindo, assim, das adversidades e conflitos do mundo que o cerca. Contudo, esse escapismo não se limita apenas à poesia, já que parte da sociedade tem adotado postura semelhante em vez de tentar superar, por exemplo, a fome e seus fatores motivadores no Brasil. Com base nisso, é interessante analisar as razões e os efeitos de tal questão na sociedade.
Primeiramente, entende-se que falta engajamento coletivo para alcançar uma sociedade sem a má distribuição de renda. Como prova disso, verifica-se a inércia de parte da população em não lutar por assistência estatal, posto que falta oferecer mais vagas de emprego para a população, visto que boa parte dos brasileiros vivem na linha da pobreza, o que compromete a alimentação destes. Tomando as reflexões do sociólogo Zygumunt Bauman para explicar esse cenário, percebe-se que, em virtude da cultura do individualismo que se intensificou na Segunda Guerra Mundial, as pessoas passaram a negligenciar os problemas comunitários.
Além disso, a desnutrição é outra causa dessa adversidade. Segundo a filósofa existencialista Simone de Beauvoir, “O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. Nesse contexto, o silenciamento sofrido pelas minorias acaba não reivindicando por melhorias no que diz respeito a fome e seus motivadores, o que colabora com a normalização do problema. Diante disso, é inaceitável que essa situação perdure na sociedade, visto que prejudica o desenvolvimento do País.
Convém. Portanto, ressaltar que a fome e seus fatores motivadores, devem ser superados. Logo, é necessário a população exigir do Estado mediante debates em audiências públicas, a assistência, priorizando verbas, a partir do ministério competente, para abrir mais vagas de empregos, com o objetivo dos brasileiros saírem da linha de pobreza. Ademais, é fundamental sensibilizar a população via campanhas midiáticas produzidas por Organizações Não Governamentais (ONGs), sobre a importância de se adotar uma postura não resignada diante da carência alimentar, fortalecendo, assim, a mobilização coletiva em prol de melhores condições de vida. Desse modo, o escapismo frente às adversidades se limitaria ao poema de Manuel Bandeira.