A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 16/11/2021
O filme “O poço” relaciona com genialidade a tangente das desigualdades sociais e a questão da fome, pois, nos níveis mais elevados, a comida é diversa e abundante, comparada aos níveis mais baixos, em que a escassez de alimentos e a miséria se fazem presentes. Fora da ficção, o drama da obra cinematográfica supracitada é mais que uma realidade e a discussão acerca a fome e seus fatores motivadores é indispensável. Isso, na sociedade brasileira, decorre não só das desigualdades socioeconômicas, mas também do descaso social.
Nessa linha de raciocínio, é válido refletir acerca do papel negativo do abismo social na erradicação da fome. De acordo com o PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) o Brasil, em 2019, ocupava a sétima posição na lista dos países mais desiguais do mundo. Sob esse viés, seja falta de dinheiro, de empregos ou até mesmo dos preços altos, a aquisição se alimentos é dificultada e a camada menos abastada brasileira sofre com a fome. Sendo assim, em virtude das desigualdades sociais, os mais necessitados, quando não se alimentam definitivamente, se nutrem de forma incompleta, seja pela quantidade reduzida ou carência de nutrientes essenciais para a vida, como proteínas e carboidratos, por exemplo - e a fome, em ambos casos, se torna presente.
Além disso, o desleixo por parte da sociedade é um catalisador para a problemática. Nesse contexto, dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revelam que mais de 20 milhões de toneladas de alimentos são desperdiçados anualmente no Brasil. Dessa forma, é possível entender que as ações individuais implicam diretamente na fome, pois com o descarte desenfreado de alimentos, gera a necessidade da recompra, e com o aumento da procura, o preço também se eleva. Assim, para os menos abastados, a aquisição de alimentos torna-se ainda mais difícil, em decorrência do custo dos alimentos, como consequência, também, do desperdício alimentar.
Portanto, urge que o governo, em parceria com o tribunal de contas, amplie do acesso popular a alimentação, por meio da construção ou o investimento em locais de refeições acessíveis e de baixo custo, como refeitórios públicos, por exemplo, com pratos nutritivos, diversos e em horários fixos, com a finalidade de democratizar a nutrição efetiva e mitigar a fome no Brasil. Para que, feito isso, drama do filme “O poço” citado anteriormente, seja apenas uma obra fictícia e não uma realidade preocupante.