A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 09/11/2021
Na autobiografia “Quarto de Despejo, de Carolina de Jesus, a escritora expôs as dificuldades que enfrentou para conseguir alimentação, a qual afirmava que a fome doía no corpo e na alma. Infelizmente, em virtude da inoperância governamental no que tange à questão da fome, muitos brasileiros compartilham dessa triste situação, resultando na mutilação da cidadania individual e na vulnerabilidade a danos psicológicos. Dessa forma, faz-se necessária a análise do assunto.
Primeiramente, cabe destacar que a alimentação é um direito constitucional. Sob esse viés, é oportuno o conceito de Contrato Social do filósofo John Locke, o qual declara que o Estado deve ser responsável pelo bem-estar coletivo. Entretanto, a prática deturpa a tese do iluminista, uma vez que, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, cerca de 7 milhões de pessoas, no Brasil, convivem com a falta de alimentos, evidenciando, então, a privação de boa parte da população à direitos básicos, em razão, principalmente, da ausência de políticas públicas que visem reduzir esse cenário lastimável.
Outrossim, é incontestável que a fome gera sérios efeitos nos indivíduos que a vivenciam. Nesse sentido, vale ressaltar o livro “Os Ratos”, de Machado de Assis, dado que o protagonista fica angustiado por medo de não conseguir comprar sequer um leite para o filho. Sob esse ponto, percebe-se que a carência de recursos para adquirir comida, algo de forte necessidade para a vida, causa ansiedade e, por vezes, pensamentos suicidas nas pessoas que são próximas a essa realidade, em decorrência de não encontrarem formas de retirar aqueles que lhes são dependentes desse contexto desolador.
Urge, portanto, que o Ministério da Cidadania, promotor da harmonia social, institua, mediante financiamentos fiscais, programas sociais que tencionem a distribuição de recursos financeiros para todas as famílias de baixa renda do Brasil, de modo mensal e suficiente para obterem alimentos básicos, a fim de que mais pessoas tenham oportunidades de se afastarem da convivência com a fome. Assim, espera-se que o exposto em “Os Ratos” permaneça apenas na ficção.