A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 10/11/2021
Na poesia drummondiana, a pedra representativa dos obstáculos encontrados pelo poeta estabelece uma relação com o Brasil hodierno. De maneira análoga ao poema, a fome é uma “pedra” no caminho de aproximadamente 7 milhões de brasileiros, segundo o IBGE, quer pela falta do alimento, quer pela má qualidade desse. Tal cenário nefasto se deve não somente à invisibilidade a que essa realidade está sujeita, mas também à inação governamental para mitigar o problema.
Em primeiro plano, cabe pontuar a contribuição da imperceptibilidade do problema e de suas vítimas para sua acentuação. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, a invisibilidade equivale à morte. De fato, a realidade da fome no Brasil é desconhecida pela maioria da população, o que dificulta a resolução da problemática. Além disso, pessoas que vivem nesse cenário, grande e majoritariamente de baixa renda e marginalizadas, são “invisíveis” aos demais cidadãos, ou seja, nem sequer lembradas ou percebidas, tendo seus direitos e suas necessidades desconsiderados. Dessa forma, há uma “morte” social, na medida em que ser percebido configura-se na essência de uma sociedade.
Em segundo plano, a inoperância estatal é um potencializador dessa mazela social. Para o contratualista John Locke, é dever do Estado garantir os direitos inalienáveis à sua população, o que, entretanto, não tem acontecido. Isso se dá devido à negligência dos governos federal, estadual e municipal em relação ao assunto, haja vista não haverem medidas da parte desses para solucionar o problema da fome, como iniciativas de arrecadação e distribuição de alimentos aos que necessitam.
Portanto, convém que esse cenário seja transformado. Para tanto, faz-se necessário que a mídia e os veículos de disseminação informacional confiram visibilidade a tal problemática, por meio de propagandas e campanhas nos meios de comunicação, com a finalidade de mobilizar a sociedade na luta contra a fome e tornar conhecido o problema. Tal dever-se-á dar pelo incentivo à doação de alimentos em supermercados ou pelo estabelecimento de instituições responsáveis pelo preparo de refeições para posterior entrega. Além disso, cabe ao Estado, consoante o pensamento de Locke, intervir de modo a proporcionar recursos mínimos necessários à alimentação básica de sua população faminta.