A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 17/11/2021

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos. Fora da ficção, entretanto, é observado o oposto ao pregado pelo autor, visto que a questão da fome apresenta barreiras para ser erradicada, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Dentro desse contexto, torna-se necessário analisar as causas da problemática em questão, tais como a negligência governamental e a má distribuição de renda presente no país.

Sob esse viés, cabe ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a fome no Brasil. Nesse sentido, evidencia-se - principalmente nos estados do Norte e Nordeste -, um grandioso déficit de atuação governamental para amenizar a questão da fome, fato concretizado na pesquisa feita pelo IBGE, em que mais de 60% da população do Maranhão passa por dificuldades para obter uma alimentação digna, por exemplo. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo John Locke, rompe com o “Contrato social”, visto que o Estado não cumpre a sua função social de fornecer subsídios suficientes para a população desfrutar de seus direitos. Assim, enquanto o descaso do Estado for regra, a erradicação da fome será exceção.

Ademais, é fundamental apontar outro marco do desafio do problema da fome no Brasil: a má distribuição de renda. Embora a agricultura do país seja extremamente desenvolvida, a maior parte da safra é exportada, o que resulta no aumento de preços, concentração monetária e segregação social. Nesse sentido, mesmo que o país seja o segundo maior exportador de grãos, por exemplo, a concentração de renda é uma realidade brasileira, atestada na estrutura fundiária do país que impera desde a colonização, deixando à margem parcela da sociedade que não tem o rendimento necessário à terra e - muito menos - ao alimento por ela cultivado. Nesse contexto, atitudes ambiciosas tornam-se causas de questões motivadoras da fome no Brasil.

Há de se combater, portanto, a perpetuação dos desafios da questão da fome no Brasil. O Estado, por meio de verbas públicas, deve realizar uma reforma agrária nas áreas ociosas do país - como, por exemplo, distribuir lotes aos cidadãos que necessitam de renda e alimento conjuntamente, para que possam cultivar alimentos e, além de consumí-los, comercializá-los - a fim de amenizar a situação precária da fome e da concentração monetária. Assim, a sociedade tornará a obra do escritor inglês uma realidade concreta do país.