A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 10/08/2022

Na década de 1960, Carolina de jesus documentou em sua obra “Quarto de despejo: o diário de uma favelada”, a fome a partir de características que atribuíam a tontura e a cor amarela ao estado de desnutrição. Apesar de inúmeras mudanças sociais e políticas no âmbito nacional, não há dúvidas de que o que aconteceu com Carolina persiste: a fome ainda se configura como um problema endêmico. Nesse sentido, é imprescindível discutir o que motiva esse persistente cenário no Brasil.

Nesse viés , é nítido que o principal fator que contribui para a persistência da fome do Brasil é a falta de políticas públicas para pequenos e médios produtores rurais, uma vez que 70% dos alimentos consumidos pelos brasileiros vêm da agricultura familiar. Infelizmente, isso acontece porque a política brasileira está impregnada de patrimonialismo, ou seja, tratar a republica (coisa pública) como um bem privado. Essa ideia vem sendo estudada pela historiadora brasileira Lilia Schwarcz e mostra que a maioria dos governantes estão voltados a interesses próprios e incentivam o agronegócio, em detrimento dos pequenos produtores . Isso acarreta um menor investimento da agricultura familiar, diminuindo a produção, e consequentemente, um aumento do preço dos alimentos.

Além disso, outro fator que Motiva esse cenário de fome no País é a intensa desigualdade social. Segundo relatorio da ONU o Brasil é o segundo mais desigual entre o G20. Isso leva a população mais pobre a sofrer demasiadamente com a crise, pois o desemprego e aumento do preço dos alimentos estão levando milhões de brasileiros a situação de insegurança alimentar, segundo os dados do IBGE de 2014. Desse modo é crucial tratar esse problema histórico no Brasil.

Portanto, faz-se necessário resolver a questão da fome no Brasil. Para isso, é fundamental que o poder Executivo – na esfera Federal- crie uma proposta de ampliação da verba orçamentária anual destinada à agricultura familiar. Tal proposta deverá ser efetivada por meio de uma votação feita por deputados federais e senadores, pois são componentes do Congresso nacional e responsáveis pela aprovação de alterações na Lei Orçamentária Anual. Isso deve ocorrer a fim de aumentar a produção de alimentos e sua distribuição. Afinal, Já dizia Pero Vaz de Caminha, “nesta terra, em se plantando, tudo dá”.