A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 02/08/2022
No filme espanhol " O Poço", prisioneiros são confinados em uma torre vertical e apenas podem se alimentar dos restos da comida do nível de cima, deixando nítido a disparidade do luxo comparada à miséria dos últimos. Fora da ficção, a realidade hodiernamente é semelhante no que tange à insegurança alimentar no Brasil. Urge, portanto, a análise de desafios que fomentam esse revés, dentre as quais se destacam a má distribuição de recursos e a negligência governamental.
Em primeira análise, é fulcral pontuar a má distribuição de recursos como principal promotor do problema. Nessa lógica, é preciso que reconhecer que, em função do modelo agroexportador, o Brasil possui capacidade para suprir a necessidade alimentícia de toda a nação. No entanto, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a maioria desses recursos encontra-se, quando não exportados para fora do país, concentrado nos grandes centros urbanos. Dessa forma, a distribuição desigual dos alimentos acarreta o estado de subnutrição de determinadas localidades, como as regiões Norte e Nordeste, favorecendo o aumento do empecilho.
Ademais, é válido salientar a negligência governamental como impulsionadora da problemática. Em uma conferência internacional, o atual presidente brasileiro Jair Bolsonaro gerou grande oposição ao proclamar que ninguém no país passava fome. Entretanto, tal fala vai contra uma pesquisa realizada pela ONU , na qual revelava que o Brasil voltara ao mapa da insegurança alimentar em 2019. Logo, fica claro que a negligência governamental, no que diz respeito à indiferença com a população desnutrida na nação, contribuiu para o agravemento do quadro.
Portanto, medidas exequíveis são necessárias para conter o impasse. Dessarte, com o intuito de garantir a segurança alimentar a todos os cidadãos, é necessário que o Tribunal de Contas da União - órgão responsável pelas finanças do país-, direcione capital que, por intermédio do Ministério da Cidadania, seja revertido na elaboração de um projeto que vise distribuir, adequadamente, os recursos alimentícios para todas as regiões. Somente assim, atenuar-se-á em médio e longo prazo o impacto nocivo do empecilho, e a sociedade se afastará da realidade retratada em “O Poço”.