A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 29/08/2022

O programa Fome Zero, criado no início dos anos 2000, apesar de ter falhado em sua proposta, iniciou uma discursão mais séria sobre um problema que a muito tempo assola a população brasileira e era ignorado pelos políticos. Após a extinção de tal programa, vê-se que não houve mais o cuidado, por parte dos governantes, em combater tal mal. Portanto, faz-se necessário discutir como a defasagem dos programas de distribuição de renda e o pouco investimento na agricultura familiar, influenciam na questão da fome no Brasil.

Em primeira análise, pode-se notar que a defasagem dos programas sociais, em relação à inflação, impactam decisivamente na perpetuação da fome no país. Isso ocorre devido aos aumentos sucessivos no preço dos alimentos, que superam os dos reajustes do valor dos auxílios recebidos pela população mais carente. Pode-se perceber isso ao analisar os dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), os quais mostram que o preço da cesta básica no país supera em quase 10% o valor pago pelo Auxílio Brasil.

Em segunda análise, é notório perceber que o baixo investimento na agricultura familiar contribui significativamente para questão da fome no Brasil. Isso se deve ao fato de mais de 70% dos alimentos consumidos pela população terem essa origem, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dessa forma, o baixo incentivo a esse modo de produção gera uma menor produtividade, ocasionando um aumento nos preços de tais produtos.

Percebe-se, pois, que a defasagem dos programas de distribuição de renda e o pouco investimento na agricultura familiar impactam na questão da fome no Brasil. Para a solução desse quadro, faz-se necessário que o governo federal corrija, anualmente, o valor do Auxílio Brasil, de modo a supera a inflação, possibilitando, dessa forma, que não haja perda no poder de compra por parte dos indivíduos mais necessitados. Ainda, cabe ao governo federal, em parceria com os governos estaduais, a criação de um fundo de financiamento para a agricultura familiar, o qual deve possibilitar um maior acesso ao crédito, com juros baixos, por parte dos pequenos produtores, permitindo uma maior produção de alimentos e, dessa forma, a redução do preço desses. Assim, a fome poderá ser, enfim, combatida.