A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 18/09/2022

Na obra “Os retirantes”, de Candido Portinari, é possível notar o sofrimento da família retratada que, em meio à insegurança alimentar, muda-se frequentemente em busca de melhores condições de vida. De modo análogo, na atual conjuntura, a carência alimentícia permanece - infelizmente- como uma realidade nacional, vide o retorno do Brasil ao Mapa da Fome das Nações Unidas. Diante disso, é imprescindível que a questão da subnutrição brasileira seja reparada e seus fatores motivadores como desemprego e desamparo governamental, coibidos.

Em uma primeira análise, a composição literária “Quarto de despejo: Diário de uma favelada”, de Carolina Maria de Jesus, discorre sobre a rotina excruciante e de extrema pobreza de uma mãe solteira que, na tentativa de alimentar seus filhos, trabalha como lavadora de roupas e catadora de papel e metal. A partir disso, é possível inferir que essa produção bibliográfica dialoga com o cenário nacional, uma vez que, em meio ao desemprego exacerbado, muitas famílias encontram-se em situação de fome tal qual Carolina de Jesus. Em 2022, por exemplo, o site o Globo publicou uma matéria em que evidenciou indivíduos que, após perderem seus empregos, vivem em condição de miséria e, portanto, subalimentação.

Ademais, o livro “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, narra um núcleo familiar que migra pelo Sertão a fim de encontrar algum local afável para viver e conseguir se alimentar, porém, tal grupo é frequentemente vítima de aproveitadores. Com base nisso, é notório que outro fator que pode ser encarado como motivador à escassez alimentar é o desamparo governamental, pois a falta de assistência vivenciada por populações em áreas mais remotas acarreta não ‘‘apenas’’ indigência, mas também, facilita que essas minorias sejam enganadas e exploradas.

Dessa forma, para que a fome seja contida no Brasil, é fundamental que o Governo forneça centros de auxílios habitacionais e alimentares para grupos vulneráveis. Além disso, vale ressaltar qua tais centros devem contar com oficinas laborais ensinadas por profissionais como: marcenaria e costura a fim de permitir que tais segmentos sociais aprendam novas atividades e recebam em troca de seus trabalhos. Com essa medida, essa população sentir-se-á acolhida e a pintura de Candido Portinari não será mais um retrato do país.