A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 16/07/2024

A curta-metragem “Ilha das Flores”, de Jorge Furtado, retrata a precária realidade de uma parcela da população brasileira que se alimenta de lixo para sobreviver. Paralelamente, percebe-se que tal cenário persiste na contemporaneidade, perpetuando-se ao longo dos anos e impactando significativamente o país. Logo, nota-se que esta conjuntura é fruto de uma negligência governamental, atrelada ao fato social, advinda de uma alienação popular.

Em primeira análise, é indiscutível que o descaso estatal diante da fome instalada no Brasil inabilita o papel social do poder público como defensor do bem-estar coletivo. Sob esse viés, segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, em seu conceito de “Instituição Zumbi”, algumas instituições, como o Estado, apesar de existirem, perderam sua função social. Nesse sentido, o desleixo do governo em relação à distribuição adequada de alimentos para as regiões do país corrobora a tese do autor, uma vez que o poder estatal parece não se preocupar com essa questão, impulsionando, sobretudo, as desigualdades sociais.

Ademais, convém destacar o fato social como um fator de influência para a resiliência da fome no Brasil. A esse respeito, conforme o Marquês de Maricá, “o povo corrompido não pode tolerar um governo que não seja corrompido”. Assim, a omissão da população em cobrar seus governantes por seus direitos estagna o corpo social na busca por melhores condições de vida, contentando-se com o mínimo disponível. Outrossim, a alienação social historicamente programada, ou seja, um modelo administrativo voltado a manter a sociedade facilmente manipulada, impossibilita o reconhecimento dos seus direitos pela sociedade, perpetuando o ciclo de desleixo popular na luta por seus privilégios.

Destarte, torna-se essencial a tomada de medidas visando mitigar a resistência da fome na sociedade brasileira contemporânea. Urge, portanto, a intensificação da contribuição do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na agricultura familiar, por meio do estímulo à produção de alimentos para a população, além de gerar emprego e renda para o meio rural. Além disso, é necessário que haja a criação de grupos ativistas com o intuito de incentivar a formação de protestos pela busca dos direitos vigentes na Constituição Federal.