A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 22/08/2024

Em 1948, a Organização das Nações Unidas promulgou uma das leis mais importantes da história recente: a Declaração universal dos direitos humanos cujo conteúdo garante à alimentação. Todavia, a insegurança nutricional impede que a sociedade vivencie o direito assegurado pela ONU. Desta maneira, há de se combater o silenciamento sobre a crise alimentícia, bem como a omissão do Estado.

Diante desse cenário, Jean-Paul Sartre afirma, em sua obra “O sai e nada” que existe o conceito conhecido como “Acomodação Social”, segundo o qual há alguns temas sociais banidos da discussão coletiva. Sob a lógica de Sartre, a discussão acerca da insegurança alimentar, embora seja relevante para a sociedade brasileira, não recebe a devida importância. Logo, tal silenciamento é notório, uma vez que existe uma carência crônica na falta de debates sobre como combater o problema de pessoas nesta situação instável, como, por exemplo: pessoas de classe baixa, refugiados e pessoas em situação de rua.

Ademais, a omissão do Estado motiva indiretamente a persistência da nutrição escassa. Nesse aspecto, Noberto Bobbio - expoente filósofo italiano - afirma que as autoridades devem não apenas ofertar os benefícios da lei, mas também garantir que o povo usufrua deles. Nessa perspectiva, tal negligência prejudica a nação canarinho, haja vista que segundo dados do IBGE no ano de 2022 cerca de 30% da população brasileira lidou com a instabilidade nutricional. Sob esse aspecto , o Estado precisa além de criar políticas que assegurem o direito a alimentação, assegurar que a população vivencia dessa necessidade em seu cotidiano.

É urgente, portanto que o Ministério da Saúde e as escolas - responsáveis pela transformação social - devem contribuir para desenvolver empatia dos indíviduos em relação a crise alimentar por meio de projetos sociais, como ações comunitárias, a exemplo de: distribuição de cestas básicas para aqueles que necessitarem e construir cozinhas solidárias que teriam como funcionários cozinheiros e nutricionistas. Essa iniciativa terá finalidade de mobilizar o Estado a melhorar o problema nutricional e garantir que o conceito defendido pela ONU seja, em breve, realidade no Brasi.