A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 18/04/2018

Claude Strauss, antropólogo da época pós 2ª Guerra Mundial, afirmava não haver nenhuma prova da superioridade de uma raça sobre outra na ciência. Apesar disso, o pensamento xenofóbico ganha força com o intenso fluxo imigratório que vem acontecendo no mundo e, o Brasil, embora conhecido por sua receptividade, não fica fora da problemática. Nesse contexto, é necessário debater a xenofobia, buscando analisar suas causas nos contextos histórico e contemporâneo.

Em primeiro plano, cabe ressaltar que a desvalorização de uma cultura diferente daquela com a qual se está habituado é uma constante na história da humanidade. Na antiguidade clássica, os gregos se referiam aos demais povos como “bárbaros”. Mais tarde, na colonização das Américas, os habitantes nativos foram chamados de “selvagens”. Nos dois casos, a cultura diferente, tratada como inferior e menos evoluída, foi extinta aos poucos, e hoje restam apenas ruínas como os monumentos Incas na América Latina. Dessa forma, entender a importância de cada povo, respeitar seus costumes, e reconhecer a inexistência de hierarquias é fundamental no combate à xenofobia.

Além disso, no contexto atual existe ainda o medo de que a entrada de imigrantes agrave os problemas sociais. A preocupação não é infundada, haja vista os 40000 venezuelanos que entraram no Brasil até fevereiro de 2018, e os 90000 haitianos que imigraram entre 2010 e 2017. O volume assusta moradores que temem a maior dificuldade de acesso aos serviços básicos e empregos. No entanto, Adam Davidson, comentarista econômico do jornal “The New York Times”, explica que os recém-chegados ampliam a economia como um todo, oferta e demanda de serviços e trabalhos, não representando, assim, uma ameaça. Desse modo, cabe ao Governo deixar claro para a sociedade que as estruturas suportarão a entrada dos estrangeiros.

Nesse sentido, urge que o Estado, através do Ministério do Planejamento, designe equipes para o implantar melhorias em infraestrutura nas áreas que mais recebem imigrantes, por meio da criação de forças-tarefas voltadas, principalmente, para os setores de segurança e saúde, a fim de que os nativos não sintam piora em suas vidas e, portanto, não culpem os estrangeiros, pois isso incentivaria atitudes xenofóbicas. Outrossim, a mídia deve promover campanhas publicitárias que mostrem elementos do dia a dia brasileiro que vieram de outras culturas (como nomes africanos e culinária latina) para, assim, promover o sincretismo como um fator positivo e desmistificar a ideia de culturas melhores ou piores, como já proposto por Strauss.