A questão da xenofobia no Brasil
Enviada em 30/04/2018
A partir do século XVIII, surgiu na Europa um movimento intelectual, o Iluminismo, baseado nos ideais de igualdade e liberdade. No entanto, quando se observa a xenofobia no Brasil, percebe-se que esse ideal iluminista não é posto em prática, tornando-se uma questão a ser discutida em todas as instâncias da sociedade. Nesse sentido, não apenas a desordem social, como também a discriminação, dificultam a resolução dessa problemática, o que configura um grave problema social.
Sob esse viés, torna-se evidente a desordem social causada pela aversão diante do contato com a alteridade no território brasileiro. De acordo com os princípios do filósofo suíço Rousseau, essa situação configura-se uma ruptura do “contrato social”, já que o Estado não cumpre seu dever de manter a ordem, assegurar a defesa, promover o bem-estar e o progresso do corpo social, para a concretude da igualdade e justiça entre os membros da sociedade, expondo os estrangeiros a uma situação de ainda maior exclusão e desrespeito.
Além disso, a discriminação é um dos pilares dessa problemática, tendo em vista que é recorrente nos veículos de informações estrangeiros sendo hostilizados e agredidos tanto fisicamente quanto verbalmente. De acordo com Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com a chegada de refugiados no Brasil, xenofobia cresce mais de 600%, mas nem 1% dos casos chega à Justiça. À vista de tal preceito, é perceptível que o Governo não cumpre o seu papel de garantir o acesso universal a todos os direitos democráticos, configurando-se uma chaga social que demanda imediata resolução, pois fere a livre expressão individual.
Para que os ideais de igualdade e liberdade, portanto, não sejam apenas uma aspiração teórica, mas uma medida prática, é fundamental que o Governo assegure a cidadania dos cidadãos e oriente a população mediante a divulgação de informações, por meio de projetos, políticas públicas eficazes e campanhas educativas, a fim de que os todos tenham sua dignidade humana preservada, um acompanhamento mais preciso e a garantia da eficiência dos princípios constitucionais, podendo assim, evitar a intensificação da xenofobia e conceber a ruptura de certos tabus para que esse tecido social não viva a realidade das sombras, como na alegoria da caverna do filósofo Platão.