A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 07/10/2025

O sucesso “Turma da Mônica”, criado por Maurício de Souza, retrata o personagem Chico Bento como um menino do interior, cujos os hábitos,vestimentas e dialeto são diferentes quando comparados com outros personagens. Mas que mesmo diante das distinções culturais, Chico é tratado comrespeito. Fora dos limites do HQ, nota-se no contexto brasileiro atual, a diversidade étnica e regional como palco para propagação de discursos de ódio decorrente da carente abordagem do tema na educação e da presença de ideologias xenofóbicas enraizadas nas famílias brasileiras.

Diante desse cenário, constata-se que as escolas do Brasil, frequentemente, são negligentes em proporcionar debates acerca da temática. Sob essa perspectiva, o conceito de “eurocentrismo”, abordado nas aulas de História do Brasil, se limita quando associa o termo apenas ao período da colonização, uma vez que não leva o estudante a uma reflexão contemporânea, a qual, se analisada, escancara um Brasil tão etnocêntrico quanto a Europa no século XX. Sob esse prisma, o aluno não consegue enxergar que quando se depara com haitianos em centros urbanos na busca de um emprego, é fruto também do silenciamento educacional, que perpetua a alienação para com essas pessoas.

Ademais, a instituição familiar silencia-se ou trata o tema de forma equivocada. Logo, a ideia do ser um ser humano crítico e investigativo, a fim de resolver desafios sociais, cunhada pelo professor Paulo Freire, se fecha quando a escola e a família não são receptores de diálogos. Por conseguinte, por não ser suficientemente debatido nas principais instâncias da nação, o respeito para com povos de outros lugares é dificultado.

Portanto, urge a necessidade de um Brasil mais receptivo. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação, juntamente ao Ministério da Cultura - responsáveis pela garantia da base educacional e da exploração acerca de conhecimentos étnicos, garantir a inserção de maior saberes das nuances dos povos do próprio país e de outras nações, por meio do desenvolvimento de uma disciplina, denominada “saber cultural”, com o objetivo de mitigar abusos e fomentar o amor ao próximo e o respeito às diferenças. Assim, formar-se um Brasil digno para com todos.