A questão da xenofobia no Brasil
Enviada em 17/05/2018
Conforme defendeu o cientista social Gilberto Freyre, na obra “Casa grande e Senzala,” a pluralidade de culturas é formadora da identidade deste país. Assim, todas devem ser respeitadas. Porém, no limiar do século XXI, observa-se o crescimento do preconceito contra estrangeiros. Assim, deve-se analisar como a herança histórico-cultural e o Poder Público prejudicam a questão na atualidade.
A herança histórico-cultural é a principal responsável pela manutenção do repúdio à estrangeiros. Isso decorre do século do século XXI, quando a ordem escravocrata disseminou ideias de superioridade. A sociedade, então, por tender a incorporar costumes de época conforme defendeu o sociólogo Pierre Bordieu, naturalizou esse pensamento e passou a reproduzir a ideia de existirem seres superiores. Dessa forma, isso se manifesta através de discurso de ódio contra estrangeiros, ou até atos de violência, o que define a xenofobia. Indubitavelmente, não se sustenta a tese de que isso aconteça em um país tão miscigenado e globalizado.
Atrelado à sociedade, nota-se que o poder público negligencia os direitos da população imigrante. Isso porque, embora os direitos humanos garantam o amparo das comunidades, o Estado não garante a efetivação de muitas conquistas, pois os interesses socioeconômicos se sobrepõem à fiscalização das leis. Outrossim, a regra constitucional é claramente infringida e os imigrantes que entram no Brasil sofrem com o chamado nacionalismo exacerbado unido às práticas de violência.
Diante dos fatos supracitados, nota-se que os estrangeiros são historicamente inferiorizados pela sociedade e Estado. O Governo Federal, portanto, por meio do Ministério da Educação, deve incluir nas matrizes curriculares dos ensinos fundamental e médio, projetos sobre a luta contra a xenofobia, por meio de apresentações nas escolas e praças públicas, com geógrafos e historiadores que expliquem a importância do respeito ao migrante, a fim de diminuir a potencialização e expansão do preconceito. Ademais, o Brasil tornar-se-á um país de equidade.