A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 29/05/2018

É natural do humano sentir-se averso à uma cultura ou etnia diferente da sua, há diversos  relatos de acontecimentos como esses na história. O problema encontra-se quando essa aversão vem entrelaçada com um sentimento etnocêntrico, causador principal da xenofobia, crime muito frequente nos dias de hoje, especialmente em nosso país.

Primeiramente, vale ressaltar que as leis brasileiras preveem a xenofobia como um crime. No entanto, é de conhecimento geral que muitos ainda praticam esse delito no Brasil. Casos clássicos como comentários de cunho ofensivo de sulistas ao povo nordestino são comuns e antigos, datados do inicio do século XX, mas que persistem até a contemporaneidade, mostrando uma não evolução mental por parte de alguns brasileiros.

Venezuelanos, sírios e haitianos também podem exemplificar o sentimento etnocêntrico alimentado por alguns cidadãos. Um fato que ocorreu na região Sul do país no ano de 2015 pode nos demonstrar que muitos ainda não respeitam as diversas culturas existentes no mundo, um morador de uma cidade no Rio Grande do Sul humilhou um jovem frentista haitiano, alegando que o rapaz estaria “roubando a oportunidade de outros brasileiros”. Esquecendo totalmente da história nacional, no que encontra-se o registro de que o Brasil foi construído a base de mão de obra imigrante, o ex-militar salientou seu repudio à culturas não europeias e ignorou a herança e a importância que outras linhagens tem para o país.

Não obstante, na Europa, casos de xenofobia e etnocentrismos famosos serviram de inspiração para a criação de um conhecido vilão da aclamada série televisiva da emissora britânica BBC, Doctor Who. A raça alienígena, denominada Dalek, maior inimiga do protagonista da série, o Doutor, decide dominar a galáxia por acreditarem ser superiores à todos os seres existentes. Se assemelha bastante ao discurso propagando por Adolf Hitler na Alemanha nazista, no qual milhões perderam suas vidas por causa de seu ideal preconceituoso.

Portanto, pode-se concluir que a xenofobia atravessa gerações e está presente em diversas realidades. Torna-se imprescindível que instituições de ensino agreguem em sua matriz curricular uma disciplina ministrada por um representante de uma cultura que sofra xenofobia, para demonstrar aos pequenos que existem outras diversidades e que devemos respeitar a todas. A mídia pode criar entretenimentos, como novelas, filmes, séries e minisséries, com protagonistas de outras etnias, para para gerar uma maior representatividade de outras ramificações em território nacional. Dessa maneira, tal crime deixará de ser uma triste veracidade e será apenas uma mancha escura na nossa história.