A questão da xenofobia no Brasil
Enviada em 02/08/2018
O Brasil, apesar de ser um país criado com base em diversas raízes imigratórias, sofreu, durante o período nacionalista de Vargas, grandes ataques de ideias xenófobas dos Integralistas. Hodiernamente, mesmo tendo-se passado mais de meio século, o Brasil ainda carrega essa herança intolerante, a qual afeta milhões de imigrantes em todo o país. Sob essa ótica, alguns entraves devem ser levantados para mitigar esse problema, como o preconceito social aliado a dificuldade infraestrutural do país, e da negligência governamental frente ao suporte inadequado aos imigrantes.
Em primeiro lugar, é válido ressaltar que o Brasil passa por dificuldades em diversas áreas, como na economia, na saúde e na educação. Segundo dados do IBGE, cerca de 14 milhões de brasileiros estão desempregados. Essa crise infraestrutural afeta a população, que acaba tomando atitudes nada louváveis em relação aos imigrantes. Nesse sentido, segundo o pensamento de Zygmunt Bauman, no livro ‘Estranhos à Nossa Porta’, o imigrante, ao chegar em um país estrangeiro, encontra-se com o ‘Precário’, ou seja, o cidadão a qual vive da ansiedade, medo e insegurança. Dessa forma, essa soma de sentimentos é refletida em preconceito, intolerância, apatia e violência aos imigrantes, principalmente os de origem pobre, que são atacados e marginalizados pela população xenófoba.
Por conseguinte, aliado aos fatos supracitados, a negligência governamental afeta ainda mais a vida desses estrangeiros. Nesse raciocínio, o Brasil peca com a extensa burocracia para o acesso de forma legalizada no país, entretanto, não possui uma fiscalização adequada nas fronteiras, o que favorece a entrada de maneira ilegal de milhares de imigrantes. De acordo com o Datafolha, cerca de 40% dos imigrantes no Brasil são ilegais. Logo, o país perde o controle dessa população e, assim, facilita o abuso e a exploração desse povo, que se tornam reféns de trabalhos análogos à escravidão, da violência e da injustiça. Desse modo, aumenta-se as práticas xenofóbicas contra essas pessoas.
Fica evidente, portanto, a necessidade de uma intervenção dos poderes públicos e da sociedade civil. Cabe ao Ministério dos Direitos Humanos, em parceria com a ANEIB (Associação Nacional de Estrangeiros e Imigrantes no Brasil) declararem o mês de janeiro, para começar o ano com uma nova mentalidade, como o ‘Mês Verde’. Para que, dessa maneira, intensifique nesse mês palestras, reuniões em praças públicas e propagandas em todas as mídias, com as principais figuras imigrantes do Brasil, a fim de valorizar a diversidade e empatia da sociedade em relação a esse povo. Por fim, cabe ao Ministério da Justiça e da Polícia Federal, através de verbas da União, diminuírem a burocracia dos vistos e intensificarem a fiscalização das fronteiras de todo o país, além da parcela ilegal de estrangeiros, para que essa fatia populacional não fique à mercê da exploração de criminosos.